Língua-mãe… ou madrasta?

Hoje celebra-se não só o Dia da Mãe mas também o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura, instituído pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Pelo que se justificam breves referências a algumas individualidades e instituições que têm transformado – ou tentado transformar – a Língua-Mãe numa língua… madrasta, através, principalmente, da imposição dessa aberração ilegal, inútil e ridícula conhecida como «acordo ortográfico de 1990»…
… E pode-se começar exactamente pela CPLP, e, mais concretamente, pelo seu país mais representativo, o Brasil, cujo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a poucos dias da celebração…. da língua portuguesa, decidiu que as bolsas de estudo atribuídas, no âmbito do programa «Ciência sem Fronteiras», a cerca de sete mil estudantes brasileiros que haviam escolhido o nosso país como destino deveriam ser reafectadas para outras universidades que não as portuguesas. Porquê? Porque eles «têm que enfrentar o desafio da segunda língua. Por isso todos foram convidados a migrar para outros países». Que «magnífico» exemplo este de um Estado que desrespeita as opções dos seus cidadãos… Enfim, é mais uma falácia de uma «cooperação cultural lusófona» em que abundam as palavras – cada vez mais deturpadas – mas em que escasseiam os actos concretos, eficazes, relevantes, úteis.
Neste âmbito, mas não só, é difícil haver personificação mais patética do que o actual (p)residente da república portuguesa Aníbal Cavaco Silva. Primeiro e principal responsável pelo AO90 (iniciou-o enquanto primeiro-ministro e «ratificou-o» enquanto chefe de Estado), está reduzido a assinar discursos e artigos ridículos como o que foi publicado no jornal Sol na edição de 3 de Maio último. Escrito, como não podia deixar de ser, em «acordês», e a propósito, precisamente, do «dia da língua portuguesa», exalta a lusofonia como «um conceito moderno, plural e evolutivo, moldado pela atualidade das sociedades vibrantes que a compõem e fundado na língua portuguesa» sendo esta «um dos principais ativos estratégicos dos países que a compõem, com a sua afirmação internacional a constituir um objetivo prioritário.» O facto de as «vibrações» dessas sociedades no que respeita ao AO sempre terem sido maioritariamente negativas é apenas um pormenor de reduzida ou nula importância…
Além dos políticos, outros «profissionais» existem que exibem considerável culpa e/ou cumplicidade na imposição acrítica do totalitarismo linguístico-cultural. Desses destacam-se os jornalistas, e aqui e agora há que referir dois casos de «excelentíssimos diretores» que são outros tantos maus exemplos. Primeiro, Ví(c)tor Serpa; enquanto ficcionista, não utiliza o «aborto pornortográfico», como aliás se pode confirmar no seu último livro, o romance «O Segredo dos Pássaros», onde consta a informação, na ficha técnica, de que «por vontade expressa do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico de 1990»; porém, o jornal A Bola, de que ele é (supostamente) o responsável máximo, submeteu-se ao dito cujo, o que teve como consequência que aquele que já foi como que uma «bíblia», não só do desporto mas também da cultura e da cidadania nacionais, seja hoje apenas um reles pasquim. Na mesma situação está o Jornal de Letras, Artes e Ideias, embora o seu «diretor» constitua um exemplo muito, muito pior; José Carlos de Vasconcelos integra(rá) em lugar de relevo uma «galeria da infâmia» dos que colaboraram mais activamente com os fascistas da ortografia; e a sua mais recente demonstração desse colaboracionismo está no editorial da edição (Nº 1110) do JL de 17 de Abril último, em que o Sr. Vasconcelos tem o atrevimento de, criticando a oposição à edição da obra completa do Padre António Vieira em obediência ao AO90, se referir à «cruzada de alguns opositores» marcada pela «cegueira» e pelo «extremo radicalismo»; o Sr. Vasconcelos deveria estar a olhar-se ao espelho (de uma janela?), porque os verdadeiros «radicais», os autênticos «terroristas culturais», são aqueles que alteram toda uma ortografia à medida dos seus caprichos e devaneios utópicos, sem qualquer correspondência com as necessidades concretas das nações e das pessoas que utilizam aquela.
Outro exemplo mais recente, e mais anedótico, de «hipocrisia linguística» é o da edição do livro «Out of the Office», de que um dos autores é o jornalista da TVI José Gabriel Quaresma e que contou com o prefácio e a apresentação de José Alberto Carvalho, director de informação da mesma estação. Para eles, que se submeteram igualmente ao AO90, aparentemente não há contradição na utilização de palavras estrangeiras (com um duplo «f» numa delas!) no título, e que a promoção inclua a possibilidade de conexão com… smartphones – uma palavra com o «arcaico» ph!
Sim, é verdade que nem toda a comunicação social se rendeu ao «acordo». No entanto, também é verdade que uma parte significativa dela se rendeu, com destaque, precisamente, para as três estações de televisão portuguesas. A pior delas, claro, é a RTP, porque, ao contrário de SIC e da TVI, é financiada com dinheiro dos contribuintes, a maioria dos quais se opõe ao AO90; e porque mais do que o utilizar, faz propaganda ao dito cujo, em especial (mas não só) nessa dose diarreica diária que é o «Bom Português» no «Bom Dia Portugal»; ironicamente, com o patrocínio da Porto Editora, cujo administrador e director editorial, Vasco Teixeira, em audiência recente no parlamento no âmbito do grupo de trabalho sobre o «acordo ortográfico», admitiu que aquele não tem, não traz, qualquer vantagem. Está visto que para muitos «jornalistas», neste tema como em outros, o fundamental é obedecer a uma «agenda», a uma narrativa, e/ou obedecer… ao(s) «chefe(s)»; para eles isso é mais importante do que dar voz aos opositores do «aborto», o que até poderia proporcionar o aumento de audiências e de tiragens; é mais importante do que a deontologia profissional básica - ouvir, e respeitar, as diferentes partes de um conflito, de um confronto.
Todavia, mais do que dos jornalistas, é dos professores que se deveria esperar a primeira atitude mais corajosa e mais firme contra a sabotagem cultural e comunicacional que é o AO90. Contudo, e apesar de várias e louváveis excepções individuais, as organizações – associações, sindicatos – que agregam e representam os docentes continuam a caracterizar-se pela mais lamentável e indecente capitulação. Não consta que nos «atentados quotidianos à educação» denunciados por Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, e que têm justificado várias greves e manifestações nos últimos anos, esteja incluído o «aborto pornortográfico». A conclusão inevitável – e talvez (algo) injusta – é que, desde que as colocações, as remunerações e as carreiras estejam asseguradas, qualquer porcaria pode ser ensinada aos nossos filhos e às nossas filhas. Já agora, porque não voltar a pendurar fotografias de Caetano, Salazar e Thomaz nas paredes das escolas?
Finalmente, como ilustração máxima do absurdo a que este assunto chegou, veja-se a «justificação» dada por um dos (ir)responsáveis do WordPress Portugal para a submissão ao «aborto», em que «dois consensos alargados, a oposição quase unânime e uma enorme resistência em aplicá-lo» se transformam num «entendimento geral de que se deveria avançar para a adoção do AO90» (leiam-se igualmente os comentários, entre os quais o meu). Não restam dúvidas: o «acordo ortográfico» é a «mãe (ou o pai?) de todas as parvoíces» na língua portuguesa, neste dia e em todos os outros.

Octávio dos Santos

Contra o AO90 (Parte 7)

«O acordo obscurantista», Maria Alzira Seixo; «Carlos Reis e os decibéis», «A propósito de uma carta aberta», «Consoantes mudas, etimologia e outras coisas úteis e agradáveis», «O bom senso de Rui Moreira e de Júlio Machado Vaz», «Acordo ortográfico aumenta as diferenças ortográficas entre Portugal e o Brasil», «A recessão já chegou à língua», «Com o acordo ortográfico há mamas até ao tecto» e «A prova faz-se já aqui ao lado», António Fernando Nabais; «O que o espetador deteta», «A diferença que um acento faz», «Efeitos do aborto ortográfico» e «Chumbo grosso nas consoantes», Pedro Correia; «Histórias portuguesas», Vasco Pulido Valente; «Ah! Como é diferente o escrever em Portugal…» e «E se fosses “unificar a língua” para a Coreia do Norte?», Ana Cristina Leonardo; «Um “acordo” cada vez mais “corruto”», «A tentadora luz da letra viajante» e «Uma fervente sopa de letras», Nuno Pacheco; «Requerimento formal dirigido aos Ministros da Educação e dos Negócios Estrangeiros», Madalena Homem Cardoso; «Desacordo», Abel Neves; «Acordo Ortográfico: é a hora da recusa», Cecília Enes Morais; «”O” CPLP», «A mordedura» e «Vieira queimado em… “esfinge”», Vasco Graça Moura; «A falsa unidade ortográfica», Maria Regina Rocha; «O desastre ortográfico», Miguel Sousa Tavares; «Uma questão de respeito», João Gonçalves; «A apreensão da lógica e da substância», «A adopção do Acordo Ortográfico de 1990 e o Diário da República – Caos, anarquia e disformidade», «Fatura simplificada», «Descubra as diferenças», «O acessor e a Cristine», «Em Março, a aprender como o Presidente actua», «Um assunto sobretudo da área dos Negócios Estrangeiros…» e «A imagem e o problema», Francisco Miguel Valada; «O monólogo ortográfico», Luís Menezes Leitão; «Cibertretas da Língua Acordesa», David Baptista da Silva; «Império da língua portuguesa: ascensão e queda?», António de Macedo; «A ILC e a “revisão” do AO90», João Pedro Graça; «Lição de casa», António Delfim Netto; «Deixem-se “enredar”», Mário de Seabra Coelho; «É o que dá terem sido dois a escrever aquilo», João Vacas; «Como desperdiçar clientes em tempos de crise», José António Abreu; «Desacordo ortográfico?», Mauro M. de Azeredo; «Uma aventura desastrosa», João Fabião; «O Manifesto de Girona e os “fatos com-seus-medos”» e «O problema das certezas absolutas», Teresa Cadete; «Contra o acordo ortográfico» e «Incompetência, descoordenação e irresponsabilidade», Desidério Murcho; «Contra o acordo ortográfico 2», Carlos Fiolhais; «Sinto-me como se me estivessem a tramar pelas costas», Paula Blank; «A inutilidade do acordo ortográfico de 1990», Isabel Coutinho Monteiro; «Ortografia e despotismo», José Barreto; «”Retifique-se”», Samuel de Paiva Pires; «Resposta a Gabriela Canavilhas», Graça Maciel Costa; «Importantíssima questão identitária», Ana Isabel Buescu; «Contribuição para o debate sobre a “Aplicação do Acordo Ortográfico”», António Marques; «Sobre o acordo ortográfico» e «Não merecia Vieira este tratamento», Maria do Carmo Vieira; «Uma História a respeitar», Cristina Ribeiro; «O Acordo Ortográfico e os seus trolhas», António Guerreiro.

Defender o Futuro

Assinei hoje a petição «Defender o Futuro». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui. Tive conhecimento da mesma apenas recentemente – mas antes de ela ter sido entregue na Assembleia da República no passado dia 5 – e decidi subscrevê-la exactamente, e simbolicamente, um ano depois de ter sido lançada porque este é igualmente o dia do aniversário do meu irmão.
Lê-se no texto que explica a iniciativa: «Portugal afunda-se hoje numa profunda crise económica e social, a que não é alheia a teia legislativa dos últimos seis anos de governação, destruidora dos pilares estruturantes da Sociedade. A reforma da Sociedade não deve ser realizada apenas na área económica e fiscal. Carece de uma intervenção mais profunda, designadamente no que diz respeito à Dignidade da Pessoa, em todas as etapas da sua vida, desde a concepção até à morte natural, à cultura da Responsabilidade, do compromisso no Casamento e na Família; por outras palavras, é necessária uma verdadeira cultura da Liberdade. (…) A nova Assembleia da República tem hoje um dever histórico de mudar o rumo do País. O desleixo e negligência anteriores devem dar lugar a uma política de responsabilidade e solidariedade expressa em leis que: coloquem e reconheçam a Família como fundamento da Organização Social na promoção de responsabilidade pessoal, solidariedade intergeracional e fomento da Economia; reconheçam ao casamento as funções para que está vocacionado, com vínculos e laços de responsabilidade pessoal que promovam e protejam todos e cada um dos seus membros; apelem a uma maternidade e paternidade responsáveis, generosamente abertas à vida; protejam e promovam a natalidade e a vida humana em todas as suas fases, desde a concepção até à morte natural; promovam uma verdadeira política de liberdade de educação onde os pais, independentemente de terem ou não recursos, possam escolher a escola dos seus filhos; reconheçam aos pais o direito a educar os filhos segundo as suas opções éticas e de valores. (…)»
As opiniões e posições ideológicas subjacentes a esta iniciativa explicam porque a mesma foi pouco menos que ignorada por uma comunicação social portuguesa quase toda «encostada» à esquerda. Curiosamente, o espaço mediático que, segundo pensamos saber, mais atenção terá dedicado à petição «Defender o Futuro» e/ou os seus pressupostos foi o programa «Você Na TV» da TVI, na sua emissão de 8 de Março último. Aí Isilda Pegado, uma das primeira(o)s signatária(o)s daquela, enfrentou representantes do BE, do PCP e do PS – e, como os dois apresentadores também se opunham ao teor da petição, verificou-se na práctica uma desigualdade de um(a) para cinco. O que também explica que não tenha sido possível à antiga deputada do PSD, apesar da sua boa vontade e coragem, suster e sobrepor-se às (previsíveis e habituais) falácias teóricas dos «fracturantes» de serviço, cuja demagogia e desonestidade intelectual parecem não conhecer limites.
Comigo não levariam – nunca levariam – a melhor, mesmo que em vez de cinco fossem 10, 15, 20 ou mais: já observo e analiso estas criaturas há muitos anos e sei como responder e desmontar (a)os seus «argumentos» da treta (e de trampa). Mas seria pouco provável que do quarto canal me convidassem para isso ou para qualquer outra coisa, tendo em conta que, ainda recentemente, me discriminaram de uma forma deliberada e ostensiva (e ofensiva). Pois é, 20 anos depois de ter sido fundada, como está diferente a «televisão da igreja»…

Octávio dos Santos

Sobre o Regicídio…

… De que hoje se assinala mais um (triste) aniversário, recomendo a leitura de textos de David Garcia («105 anos depois do Regicídio, não esquecemos!»), João Afonso Machado («Para além da efeméride»), João Amorim («No dia 1 de Fevereiro a escumalha não tem pesar»), João Pinto Bastos («Recordar o Regicídio»), Miguel Castelo-Branco («O erro dos regicidas») e Nuno Castelo-Branco («O Regicídio não foi esquecido, jamais o será!»).

Contra o AO90 (Parte 6)

«Ainda as facultatividades do Acordo Ortográfico de 1990 - Algumas notas críticas», José Paulo Vaz; «Uma bassula ao Acordo Ortográfico» e «A “estandardização” da língua portuguesa», Wa Zani; «O Acordo Ortográfico e a tradução para português», Paula Blank; «Futilidade estatista», Eduardo Freitas; «Ainda e sempre o malfadado Acordo Ortográfico da LP de 1990» e «O Acordo Ortográfico da nossa desunião», António Viriato; «Contra fatos, os argumentos», Francisco Miguel Valada; «Petições contra o acordo ortográfico», José Pacheco Pereira; «Bechara, um mentiroso compulsivo!», João Pedro Graça; «Os dislates de Evanildo Bechara», «Mas então não íamos todos escrever da mesma maneira?», «O Acordo Ortográfico já não causa impacto», «Viegas, boçalidades e patetices», «Rui Tavares é mais ou menos a favor», «E terá sido contactado?», «E agora, Manuel?» e «Acordo Ortográfico no Parlamento, a luz ao fundo do túnel?», António Fernando Nabais; «O Acordo, outra vez», «O cadáver adiado» e «Urgentemente», Vasco Graça Moura; «Carta aberta em defesa da língua-mãe portuguesa - o português de Portugal», Dulce Rodrigues; «A viúva e a virgem», Janer Cristaldo; «A minha pátria é a língua portuguesa», Samuel de Paiva Pires; «O acordo ortográfico e o peido-mestre», Mouzar Benedito; «Brasil rasga Acordo Ortográfico!», «Mete, e mete muito bem!» e «”Orgulhosamente sós!” E agora, Portugal?», Pedro Quartin Graça; «Uma paneleireza portuguesa», Joaquim Carlos; «E agora, burr’calhos?», Paulo Selão; «E é escrever assim desacordadamente», José Morgado; «O Aborto Horrográfico», Luís Monteiro; «Foi você que pediu um acordo ortográfico?», António Jacinto Pascoal; «É a ortografia, pá», Rui Bebiano; «A(c)ta ou desata?», António Bagão Félix; «Carta ao Primeiro-Ministro», António de Macedo; «Acordar melhor», Maria do Rosário Pedreira; «É desta que o AO vai à vida?», Telmo Bértolo; «Alegria breve ou a língua de Pandora», Nuno Pacheco; «Brasil adia Acordo Ortográfico: e agora?..», António Marques; «Sem tom nem som» e «A ideia de “língua”», João Gonçalves; «Dilma, rasgue o acordo ortográfico», João Pedro Coutinho; «Aborto acordográfico», João Pinto Bastos; «Avacalharam a língua portuguesa», Sérgio Vaz; «Uma dor na língua», Leonardo Ralha; «”Minhas mágoas eram negras, negras ficaram as águas”…», Cristina Ribeiro; «O remendo», José Horta Manzano; «Nem gregos nem troianos, assim-assim», Helena Buescu; «Carta ao Ministro da Educação», Rui Miguel Duarte.

Sobre um «Processo», no Público

Na edição da passada quarta-feira, 26 de Dezembro (Nº 8296), do jornal Público está o meu artigo «Processo Retro-ortográfico Sem Curso». Um excerto: «(…) É de perguntar a todos aqueles que sugerem, ou acusam mesmo, os actuais governantes de serem «fascistas» e que os ameaçam com hipotéticos golpes militares, se: antes de mais, sabem ou se lembram como é que era, e o que implicava, o verdadeiro fascismo, mais concretamente a sua versão portuguesa salazarista-marcelista; e se eles próprios exercem o mais básico acto de anti-fascismo que é… não escrever segundo o «aborto pornortográfico». Que é, mesmo, neo-fascista e neo-colonialista; os seus criadores, os seus proponentes e defensores são, mesmo, neo-fascistas e neo-colonialistas. Quem tem dúvidas pode dissipá-las ouvindo Fernando Cristóvão numa entrevista concedida em 2008, que esclarece o que pensam os «acordistas» sobre o processo legislativo num regime democrático – em que, supostamente, as leis não são dogmas nem mandamentos, e, logo, são alteráveis e revogáveis – e a independência, a soberania – cultural e não só – dos países africanos de língua oficial portuguesa. (…)» Transcrição parcial no sítio da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico.

Octávio dos Santos

Nem dadas!

Não é a primeira nem, certamente, será a última empresa portuguesa a lançar no mercado nacional, e, logo, principalmente, preferencialmente, para os consumidores portugueses, um produto ou um serviço com uma designação em inglês. Porém, a Porto Editora não é, neste âmbito, uma empresa qualquer, e não só por se ter especializado em dicionários e em manuais escolares: é «apenas» a entidade privada que mais tem preconizado, no nosso país, a aplicação do malfadado «acordo ortográfico de 1990»…
… Pelo que não pode deixar de ser considerado incongruente, e até ridículo, que uma das suas mais recentes iniciativas editoriais tenha sido denominada como… «Book Gift»! Sim, tanto «amor» pela língua portuguesa, tanto «empenho» na sua defesa, tanto «esforço» na sua valorização… e «uniformização»! Há, pois, motivos para esperar que, se voltarem a dar um tom anglófono a um próximo lançamento, não hesitarão em utilizar palavras com «ph» e consoantes repetidas, que só em português são «arcaicas»… Por exemplo, «Reading Support»; ou «Philosophy Essentials»; ou, emulando a SIC e a TVI, cujos espaços para as crianças são, respectivamente, SIC K e K Kanal (mais um «k» e estariam a envergar capuzes brancos), uma colecção para os mais novos intitulada «Kids Colection»… porque, enfim, «coletion» não ficaria bem, não é verdade?
Como com qualquer livro ostentando o símbolo da Porto Editora, estas «Book Gift(s)» são, se possível, de evitar, de boicotar, não comprar. Nem dadas!

Octávio dos Santos

Sobre o fantástico, na LCV

O meu artigo «A nostalgia da quimera», que tem como subtítulo, tema e tese «O fantástico é o género dominante na literatura portuguesa», foi (re)publicado na edição Nº 4 (páginas 107-110) da revista Letras Com Vida – correspondente ao segundo semestre de 2011, mas só agora disponível – depois de, originalmente, ter sido publicado no sítio na Internet do jornal Público, a 18 de Novembro de 2011. A Letras Com Vida, propriedade do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é dirigida por Miguel Real e por Béata Cieszynska. Registos audiovisuais da apresentação em Lisboa, ocorrida no Museu do Teatro no passado dia 30 de Outubro, podem ser acedidos aqui, aqui e aqui.
(Adenda - Só a 28 de Novembro vi, finalmente, um exemplar desta revista, e constatei, para minha surpresa e indignação, que o meu artigo havia sido editado segundo o «acordo ortográfico» - sem, obviamente, o meu conhecimento e a minha autorização. Pelo que, inevitavelmente e logicamente, não reconheço, e repudio, esta «versão». E fico à espera de um pedido de desculpas.)

Octávio dos Santos

Contra o AO90 (Parte 5)

«AO90 – Um documento “analfabético”» e «Carta ao M. E. C.», Fernando Paulo Baptista; «À imprensa nacional que se respeita», «Acordai!» e «Bandeira e língua», Maria José Abranches; «Em bom brasileiro», Nelson Reprezas; «Quem para um Acordo Ortográfico que pára a racionalidade da língua?», João Viegas; «Carta aberta aos governos de Angola e de Moçambique», António de Macedo; «Tu, cego, não verás», David Baptista da Silva; «E é escrever assim desacordadamente», José Morgado; «Cuidado com a língua», Rodrigo Guedes de Carvalho; «Um vocabulário alarve», João Gonçalves; «Dos efeitos do Acordo Ortográfico (ou o que sucede quando se abre a caixa de Pandora)» e «De que “português” estarão a falar? E who cares?», José António Abreu; «A língua do Acordo – Que língua é essa?», «i que má surpresa» e «”Terá o povo de esquerda capacidade de dar a volta por cima?”», António Marques; «Acordo Ortográfico – Sabor a pacto», «(…) – E quando um brasileiro procurar a recepção de um hotel…», «(…) – Foi você que pediu uma gramática única?», «(…) – O homem da minha vida», «(…) – A fissão da ficção», «(…) – Consoante antes de consoante não se escreve», «(…) – Esquisso do acordista» e «(…) – A displicência dos professores», António Fernando Nabais; «Apelo a um amigo defensor do acordo ortográfico» e «Há coisas que soam melhor em português do Brasil», Rui Rocha; «Sobre finanças, electricidade e sonoplastia», «A razão das raízes», «Repreensão ao Ciberdúvidas» e «A recepção da recessão», Rui Miguel Duarte; «Fernando Pessoa e a ortografia» e «Malefícios no ensino do Português», Maria do Carmo Vieira; «Ortografia no Verão», Hermínia Castro; «Quero escrever com uma ortografia racional», Eduardo Cintra Torres; «Um pouco mais de rigor, sff», «Monti, de fato», «As aftas de Ronaldo», «O Ártico em vias de extinção? Óptimo!», «A redacção, o ato e os actos», «A deriva», «O Acordo Ortográfico através do monóculo», «A RTP deixou de adoptar o Acordo Ortográfico? Óptimo!», «Para quê?» e «Contra o Orçamento de Estado para 2013», Francisco Miguel Valada; «”Eurofonia” e Lusofonia, a mesma farsa», Nuno Pacheco; «Lusofonias», Duarte Branquinho; «Evolução artificial imposta por decreto», Pedro Afonso; «Do milagre da estrada de Damasco, ou da semelhança entre Saulo de Tarso e D’Silvas Filho», Pedro da Silva Coelho; «Sou espanhola e sou contra o AO90», Rocío Ramos; «Acordo Ortográfico», José Pacheco Pereira; «A verdadeira expressão da decadência portuguesa», Samuel de Paiva Pires; «O “progressismo linguístico”, a “evolução” e patranhas que tais», João Pedro Graça; «A poesia e o acordo ortográfico» e «O invito acordo ortográfico», José Pimentel Teixeira; «O acordês – sórdida teimosia», Paulo Rodrigues da Costa.

SONHOS

Noite sem lua, e sem um único sonho incendiado por felicidade
Onde você estavam novamente hoje à noite?
Eu não estou impressionado com vocês, maus sonhos, quando me projectam enormes campos de canas-de-ouro
Nem impressionam as vossas visões sobre filas de reis em calçadas talhadas no mais ou menos bem-nascido dinheiro

Impressiona-me, antes, a minha pequena casa,
O meu velho carro
O meu aborrecido emprego,
Porque maus sonhos de grandeza e altiveza
Levam-me à exultação do que não tenho, insaciado por não ter feito
Porque a felicidade é aquilo que sou, é aquilo que tenho
E sei que a não vou inventar em mais lado algum.

Carroças sim, carros não!

«Sociedade Civil», na RTP2, mais do que um programa de televisão, é uma acção contínua, diária, de propaganda às grandes «causas» do chamado «politicamente (e socialmente, e culturalmente…) correcto»; tal só é novidade para os que não o costumam ver, ou, vendo-o, são distraídos. E a emissão de ontem, subordinada ao tema – e à pergunta - «cidades sem carros, para quando?», teve como convidados: Ana Santos, da Associação para a Mobilidade Urbana em Bicicleta; Fernando Nunes da Silva, da Câmara Municipal de Lisboa; Mafalda Sousa, da Quercus; e Mercês Ferreira, da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Porém, um debate como este não deveria ter também um representante do Automóvel Clube de Portugal?
Numa iniciativa informativa que de facto se orientasse por critérios jornalísticos, que procurasse realmente o equilíbrio, que tentasse abranger o máximo de opiniões possível, sem dúvida que não poderia deixar de estar presente, por interposta pessoa, uma instituição que, para mais, é a que tem o maior número de associados em Portugal. Sim, normalmente seria assim. Mas o «Sociedade Civil» não é… normal. E nem é a primeira vez que faz uma destas. Na verdade, já assinalou o centenário da República… sem monárquicos; já abordou (por mais de uma vez) o AO90 sem opositores do dito cujo – nomeadamente da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, que, ela sim, representa um movimento genuíno da (autêntica) sociedade civil. E, no que terá sido talvez um dos poucos «descuidos» da equipa que produz o programa, a emissão do dia 22 de Setembro de 2009, que teve como pretexto o filme «A Era da Estupidez», contou, como um dos convidados, com o saudoso Rui Moura, que não perdeu tempo a denunciar e a desmascarar a teoria do «aquecimento global antropogénico» deixando, ao mesmo tempo, quase sem palavras, Francisco Ferreira, Filipe Duarte Santos … e a própria Fernanda Freitas, todos apologistas da atoarda das «alterações climáticas». Digamos que ficou demonstrado que a «estupidez» não era de quem estavam à espera. Um momento notável, inolvidável, para quem, como eu, a ele assistiu.
A ausência de um representante do ACP na emissão de ontem foi, no entanto, censurável – embora previsível – por um outro motivo: é que Fernando Nunes da Silva – professor de Urbanismo e Transportes no Instituto Superior Técnico! – é, na CML, o vereador com o pelouro da «Mobilidade»… e 17 de Setembro, segunda-feira, foi igualmente o dia em que se começaram a sentir, a sério, as consequências da mais recente ideia irresponsável do actual, e incompetente, presidente da edilidade da capital: as alterações ao trânsito na Praça do Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade, em especial o conceito de «segunda rotunda». Ironicamente, na «Semana Europeia da Mobilidade»… aumenta-se a imobilidade, o «engarrafamento» de tráfego, a poluição – quando o motivo invocado para esta mudança é, precisamente, e por imposição da União Europeia, a melhoria da qualidade do ar naquela zona da cidade. Não era, pois, «conveniente» confrontar o senhor vereador com questões controversas e incómodas… e denunciar, em simultâneo, a megalomania patética de António Costa, que, invejoso, quer deixar uma «marca» maior (e «superior» à) do que a – essa sim, comprovadamente positiva, relevante, útil – deixada por Pedro Santana Lopes com o «Túnel do Marquês».
Por este andar, qualquer dia, e além das bicicletas, só as carroças serão permitidas à superfície… Até lá, os cidadãos têm de suportar as consequências desta «experiência» (mais uma) que custou «apenas» 750 mil euros – verba que, para Nunes da Silva, «não é astronómica». É de perguntar se todo esse dinheiro não seria melhor aproveitado, por exemplo, na limpeza e na recuperação dos edifícios de Lisboa, e não só aqueles que constituem património arquitectónico e histórico.

Octávio dos Santos

A Restauração já começou?

No meu artigo «Um Presidente por um Rei», publicado no jornal Público a 8 de Junho último, e que está incluído (páginas 260-262) no meu novo livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», afirmo – escrevo – que «a primeira iniciativa indispensável num restaurado Reino de Portugal – e até, se possível, prévio a este – seria a ilegalização e a dissolução total e, preferencialmente, definitiva do Grande Oriente Lusitano, complementada pela divulgação dos nomes de todos os seus membros, passados e presentes.» Porque, a 1 de Agosto, foi publicada, como comentário num blog, uma (primeira, e incompleta) lista de membros do GOL, pode-se deduzir que a Restauração já começou?
Não tenho motivos para especular, e para concluir, que a iniciativa do «António José» tenha constituído como que uma resposta ao meu «repto». De qualquer forma, considero que a mesma tem mais vantagens do que desvantagens, mais méritos do que deméritos. E, previsivelmente, originou uma larga gama de reacções, das quais aqui e agora apenas me vou referir à de João Gonçalves pelo respeito que lhe tenho. O homem do (blog) Portugal dos Pequeninos também está naquela lista, embora a sua (breve) passagem pelos «aventaleiros» não constitua uma novidade – ele próprio já a revelara, em Janeiro deste ano, no PdP. Sobre a divulgação deste «rol» - com quase 1500 nomes! – esclarece que «é-me indiferente a divulgação desta espécie de index paranóico para consolo onanista de uns quantos “assangezinhos” de trazer por casa.»
Faz muito bem João Gonçalves em não dar (demasiada) importância ao «incidente». «Quem não deve não teme», e eu nunca pensei, disse e/ou escrevi que todo e qualquer maçon, membro do GOL ou de outra «confraria» similar, é, à partida, um indivíduo de carácter duvidoso ou até mesmo um criminoso. Pelo menos, será ingénuo… Porém, não me parece correcto, e justo, comparar o «António José» ao fundador do WikiLeaks. Julian Assange procedeu à divulgação ilegal, ilegítima, injustificada e indiscriminada de informações pertencentes a instituições de países democráticos cuja existência e actividade são (podem ser) controladas e reguladas por entidades políticas, judiciais e administrativas, pela comunicação social e – por último mas não o menos importante – pelos cidadãos eleitores. Neste tema também faço minhas as palavras de João Afonso Machado: as lojas maçónicas não se inscrevem naquela categoria; a natureza do seu objecto não é clara, embora não faltem suposições – suspeições – mais ou menos (bem) fundamentadas; não merecem ter «direito à privacidade» porque não são verdadeiras famílias. E note-se que, desta vez, apenas foram divulgados nomes; se tivessem sido mensagens, aí sim é que seria interessante…

Octávio dos Santos

Este mal amanhado texto é, a forma de expressar um profundo muito obrigado aos meus amigos e companheiros de letras que conseguiram, que com este Blog patrocinaram o berçário  da minha escrita. É verdade, o projecto esquinas vai fechar, outros projetos irão substituir este certamente, mas já tenho saudade…

Como foi aqui criado este meu personagem o “O” é com ele e com este texto, ainda, em “bruto”, que vou encerrar, comovido, a minha participação neste “Esquinas”.

Até sempre, muito obrigado amigos, o contacto que tive com vocês, fez de mim uma pessoa, melhor!

Alexandre Vieira, aka “A Junção do Bem”, aka “O”, aka “A” e outras parlermices por aí espalhadas.

ERUPÇÕES CUTÂNEAS – um texto do “O”.

Enfim soltei a mordaça, o meu “O” tem estado, apagado, amarrado, agrilhoado, mudo, taciturno, institucionalizado, isto porque tanto a “A Junção do Bem” como o Alex, o têm mantido dentro dos limites daquilo que é socialmente considerado adequado. Mas perante um desafio o “O” (que quando fala de si mesmo, quase parece o Cristina Ronaldo, fá-lo sempre na terceira pessoa do singular – mas engraçado mesmo era se o fizesse na terceira pessoa do plural) galga todos e quaisquer estorvos provocados pelos mencionados. E só o faz por um único e exclusivo motivo:

- Vou repor a verdade!

- Aliás tenho agora, uma vez que agora sobreveio a prescrição penal dos factos, toda a validade para o fazer.

- Estou “focalizado” em relatar o que aconteceu a esses tais de “Focus”. (Viram o humor de “O”? Focalizado nos “Focus” – Não sei porque ainda não está o “O” nas “Produção Fictícias”, talento não lhe falta).

Bem, antes de mais, vou deixar de referir-me a mim próprio, na terceira pessoa do singular, para não correr o risco de ser acusado de nutrir piadas alheias.

Uma ocorrência nunca pode ser vista como um acto isolado destituído, de um qualquer acto prévio. A ocorrência é como que o culminar de uma série de disparates preparatórios. Por exemplo, se um avião caí e um tipo está lá dentro, e acaba por ficar todo grelhado, é porque fez o disparate de apanhar aquele voo. Face a tão densa e saturada explicação, penso que não é necessário qualquer tipo de desagravo ao que foi dito. Ora, em face do que foi dito, apenas vou digo que a ocorrência que estou “focalizado” em relatar, coincidiu apenas pelo puro e simples facto de eu ter nascido, com 4,25 Kg e ser o “Ozinho” mais formoso da paróquia de Lisboa. Esse facto levou a que tenha ganho o prémio bebe Cerelac, do mês. Ora, o prémio foram umas quantas dezenas de latas de farinha. Farinha que, segundo diziam os publicitários de então, tinha propriedades miraculosas no crescimento das crianças. O que deve ser verdade. Pois até então o português médio tinha cerca de 1,65m de altura. Mas para além de todas aquelas riquezas nutricionais, a referida “farofa”, quando consumida em excesso, o que era o caso, abonava ao glutão, um conjunto de super poderes que só ao Criador também eram igualmente conferidos. Com uma diferença; Deus tinha-os sempre ao seu dispor, as criancinhas só ocasionalmente e em circunstância de grande tensão ou em brincadeiras parvas.

Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez a que dei uso aos meus super poderes. Todos os dias de manhã após a D. Bibi, empregada lá de casa, me mudar a fralda, eu no berço instalado ouvia, bem-disposto, de barriguinha cheia atafulhada de “Cerelac”, os “Parodiantes de Lisboa”, e o seu “Graça com Todos”, no Rádio Clube Português. Eram as melhores manhãs que um fedelho de 3 meses podia almejar. As piadas não eram grande coisa, mas as vozes faziam-me gracejar. O facto de as piadas serem, como que contidas, levou-me a investigar o motivo, até que o Zezinho, menino mais velho que eu, na altura já tinha 8 meses, me explicou que a culpa das piadas dos “Parodiantes” não serem grande coisa se devia ao facto do “Avô Cavernoso” não ser muito humorado. Eu não sei bem o que aconteceu, mas sei que no dia 27 de Julho de 1970, o “Avô Cavernoso” partiu para outras paragens e não foi só ele. Eu não sei o que fiz ao “malvado do antiquado”, mas sei que quando dei por mim, para minha protecção, estava a viver em Londres, com a minha Madrinha Yvonne. E aqui que a história que estou “focalizado” em contar, se cruza, pela última vez com os tais “Focus”.

Rainbow Theatre is located in Finsbury Park.  Finsbury Park is a 46 hectare (115 acre) public park in the London Borough of Haringey. Officially part of the London area of Harringay it is also adjacent to Stroud Green, the Finsbury Park district and Manor House. It was one of the first of the great London parks laid out in the Victorian era. The park provides a large green space in central north London. It has a mix of open ground, formal gardens, avenues of mature trees and an arboretum area with a mix of more unusual trees. There is also a lake, a children’s play areas, a cafe and an art exhibition space. The  History of the park is very boring, because that, i have to write to you.

Before The Park: The park was landscaped on the northeastern extremity of what was originally a woodland area in the Manor or Prebend of Brownswood. It was part of a large expanse of woodland called Hornsey Wood that was cut further and further back for use as grazing land during the Middle Ages. In the mid-18th century a tea room had opened on the knoll of land on which Finsbury Park is situated. Londoners would travel north to escape the smoke of the capital and enjoy the last remains of the old Hornsey Wood. Around 1800 the tea rooms were developed into a larger building which became known as the Hornsey Wood House/Tavern. A lake was also built on the top of the knoll with water pumped up from the nearby New River. There was boating, a shooting and archery range, and probably cock fighting and other blood sports. The Hornsey Wood Tavern was destroyed in the process of making the area into a park, but the lake was enlarged. Once the park had opened, a pub across the road from its eastern entrance along Seven Sisters Road called itself the Hornsey Wood Tavern after the original. This pub was later re-named the Alexandra Dining Room and closed for business in April 2007. It was subsequently demolished.

Creation of the park: During the early part of the second quarter of the 19th century, following developments in Paris, Londoners began to demand the creation of open spaces as an antidote to the ever-increasing urbanization of London. In 1841 the people of Finsbury in the City of London petitioned for a park to alleviate conditions of the poor. The present-day site of Finsbury Park was one of four suggestions for the location of a park. Originally to be named Albert Park, the first plans were drawn up in 1850. Renamed Finsbury Park, plans for the park’s creation were finally ratified by an Act of Parliament in 1857. Despite some considerable local opposition, the park was formally opened on Saturday 7 August 1869. Although the park’s name was taken from the area where the 19th century benefactors who created it lived, Finsbury Park had earlier been part of an area that bore the name as part of the Fins bury division of the Ossultone Hundred.

Twentieth century to present: Through the late 19th century and early 20th century the park was a respectable and beautifully manicured space for people to relax and exercise. By the early 20th century, it was also becoming a venue for political meetings including pacifist campaigns during the First World War. During World War II, it hosted anti-aircraft guns and was one of the gathering points for heavy armour prior to the D-Day invasions. Despite decline during the 1970s, recent lottery funding has enabled something of a renaissance in the park’s fortunes. It is now a very pleasant north London park, containing Tennis courts, a running track, an occasional art gallery, a softball field and many open spaces for various leisure activities. It is also one of the most diverse places in London, with many different communities making use of the facilities.

Para além de tudo o que já foi dito acerca do parque, na língua de Sua Majestade e tudo, acrescento que, o mesmo tinha uns baloiços, do caraças! Eram lindos! Eram pintados em azul celeste e depois debruados em purpurina. Pareciam baloiços, feitos para príncipes, ou seja, feitos aqui para o então menino “O”. Quer fizesse frio ou calor, aqui o “O” passava lá os seus alegres dias de exílio naqueles baloiços. De manhã, mal o parque abria as suas portas, lá estava eu, e era sempre o último a sair do parque. Até porque como era uma criança um bocadinho invejosa não deixava mais ninguém usar os meus dois lindos baloiços. É certo que só conseguia andar em um de cada vez, mas quando alguém se sentava no outro, eu fazia uma birra tão grande que o potencial utilizador, mais, os seus pais, avôs, irmãos, tios e primos, perdiam toda a vontade de se refrescar naquele magnífico parque.

Tudo corria bem, até que em um dia cheio de sol, estava-me eu a exibir nos baloiços, aos outros miúdos que imploravam para neles andar, quando um Beef, nas mãos da minha Madrinha Yvonne depositou dois free tickets para o concerto dos unknown “Focus”.

Após estar munida dos bilhetes disse-me a minha Madrinha: - olha “Ozito”, temos dois bilhetes para os “Focus”.

O que mereceu da minha parte o seguinte comentário irónico: - Ó Madrinha, o Ford Focus só vai sair daqui a uns anos. Agora é tudo Escort!. Ao ver que a Senhora, não tinha grande sentido de humor, parecia o outro, disse-lhe: Madinhazita, linda, vai tu ver o concerto, eu fico aqui nos baloiços, está bem?

- Nem penses! – E quando dei por mim estava no “Rainbow Theatre”. Lembro-me que a sala estava completamente cheia de pessoal munido de free tickets, de tal modo, que só de vez em quando, é que conseguia ver o palco. Quando começou o concerto vi que aquela gente não era muito boa. Isto porque, dava para perceber pelo som que produziam que, para além de uma bateria, baixo e teclas, os “Focus”, aviam puxado os bigodes de um gato até à cauda; pelo que quando tocavam nos bigodes do bicho, o animal gemia desalmadamente. Aqueles Senhores não era amigos dos animais, esperei um pouco para ver se acabavam com aquela pouca vergonhas, mas quanto mais tempo passava, mais sentidos e sofridos eram os gemidos do gatinho. Eu tinha que acabar com aquilo! Eu tinha prometido aos meus Pais que nunca mais iria usar os poderes que me foram conferidos pela farinha Cerelac, mas aquilo ultrapassava os limites do meu juramento! Estava a ouvir um gatinho a sofrer, não estava a andar de baloiço e pior que tudo, algum catraio naquele momento, poderia estar a brincar nos meus lindos baloiços! Era altura de agir!

Pelo que energicamente concentrei-me no que fazer. Olhei em meu redor, e vi que o pessoal que estava a ver o gato a ser sodomizado, eram quase todos, jovens cheio de acne! Eureka! É isso! Pensei eu para mim and myself.

Cruzando os dedos mindinhos da mão esquerda e pé direito, consegui  energia suficiente para começar a minha revenge!

Em primeiro lugar, bombardeei os tais de “Focus” com pontos negros que com a força dos meus poderes foram projectados das caras nos teenagers que assistiam ao concerto directamente contra eles. Ehehehhehehe! Foi lindo de se ver, pareciam que estavam cheios de pulgas. Mas os tipos estavam focados em continuar o concerto! E não paravam de tocar nem de molestar o gatinho, o que me enfureceu. Cruzando agora também, ao mesmo tempo todos os dedos mindinhos, consegui energia magnética suficiente, para da cara dos tenagers arrancar todo o acne que tinham, e que garanto, era imenso, e projecta-lo contra os tais “Focus”.  Pareciam erupções cutâneas. Só vos digo, aquilo ficou uma nojeira, o cheiro era uma coisa indescritível, e os tais “Focus” estavam em tão sebentas e deploráveis condições, após o último arremesso de acne, que ao Tamisa foram despejados, para nunca mais voltarem a ser vistos. Após os acontecimentos soube que afinal não estavam a fazer mal a um gatinho, antes a tocar guitarra eléctrica…

Soube esses factos, através da New Scotland Yard, quando me interrogaram, pelo que tive de voltar apressadamente a Portugal. Assim que aterrei, isto em 23 de Abril de 1974, ouvi no táxi os “Parodiantes de Lisboa”. Apesar do “Avô Cavernoso” já não os chatear, ainda assim, não gostei muito das piadas, pelo que no dia seguinte tratei das coisas à minha maneira.

Esta é a história possível, esta é a história de “O”!

 

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«Um Novo Portugal» - excertos

Do meu novo livro, recentemente publicado, eis excertos de três dos artigos que o compõem.
O primeiro tem a ver com as possíveis causas e explicações da decadência deste país. «Em Portugal, o saudosismo mórbido e a mania de imitar e seguir o que é estrangeiro, subestimando e desvalorizando o que é nacional, já vêm de muito longe. Estão intimamente relacionado com a nossa tendência suicida, de que já falava Miguel de Unamuno. E se essa tendência encontrou expressão, no virar do século, com as mortes de escritores como Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Mário de Sá Carneiro e Florbela Espanca, hoje ela verifica-se, por exemplo, nos números elevadíssimos de mortes em acidentes de viação, de trabalho e domésticos. Se há coisa que distingue negativamente o povo português é a sua negligência, o seu descuido, a sua irresponsabilidade para com a integridade própria e a dos outros. Isso vê-se também na nossa já proverbial, e secular, falta de higiene, pública pelo menos, comprovada por esse hábito perene de cuspir para o chão, de deitar lixo na rua inclusive quando existem perto caixotes do mesmo, na proliferação desordenada de lixeiras sem condições de segurança, muitas vezes com resíduos perigosos. E constata-se ainda na falta de manutenção e restauro de edifícios, sejam eles de habitação ou monumentos históricos. Este desleixo generalizado vem, fundamentalmente, da descrença do nosso futuro colectivo enquanto nação. As causas desta doença são antigas. (…) Tantos desaires graves e consecutivos não podiam deixar de causar marcas profundas num povo que, não muito tempo antes, tinha sido “Mestre de Metade do Mundo”. Os problemas principais de Portugal não são pois de carácter político, económico ou mesmo cultural. Têm um cariz essencialmente psicológico, e também, provavelmente, religioso. De alguma forma se instalou na consciência colectiva nacional a certeza de que, se tantos fracassos tinham acontecido, é porque era essa a “vontade de Deus”, que determinou que Portugal e os portugueses não mereciam ser, e ter, mais e melhor. Era o destino. Era o fado. Pouco a pouco, ao longo dos séculos, esta convicção pessimista foi-se entranhando, enraizando, nas nossas mentalidades, nas nossas práticas e representações, na nossa maneira de ser quotidiana, reproduzindo-se e expandindo-se contínua e imperceptivelmente. É por isso que o conformismo, a resignação e a passividade são “imagens de marca” tão características dos portugueses. É por isso que a mediocridade se tornou uma instituição, que marginaliza ou mesmo condena, simbólica ou realmente, aqueles que se distinguem, os competentes, os ambiciosos, os que querem fazer algo de novo, de diferente ou de melhor. Como se ir mais além significasse, inevitavelmente, trazer a desgraça. (…)» («A vontade e o destino», 1998, pág. 112.)
O segundo tem a ver com a renovação das gerações e a correspondente sobrevivência da nação. «(…) A maior riqueza de um país está nos seus habitantes. A maior riqueza de Portugal está nos portugueses. Em todos os portugueses. E se pretende-se construir um Novo Portugal, isso não será possível sem novos portugueses. Estejam eles onde estiverem. (…) Criar uma nova mentalidade, formar novos portugueses, construir um Novo Portugal, são tarefas de uma missão que cabe a todos. Nada será possível sem a participação de todos os portugueses, independentemente do seu sexo, da sua raça, religião, ideologia, classe ou idade. E independentemente da sua profissão: de facto, interessa menos o que se faz e onde se faz do que o como se faz. (…)Temos pois de decidir se queremos ou não que eles sejam, ou continuem a ser, portugueses. Temos de perguntar a todos esses jovens se querem ser, dentro ou fora de Portugal, os novos portugueses. Se querem ser, afinal, pessoas, e não meros “recursos humanos” ou “mão-de-obra”. Não é necessário que todos estejam ou venham para Portugal. É preciso, pelo menos, que se consiga levar Portugal até eles, qualquer que seja a parte do Mundo em que se encontrem. E isso é algo que, bem ou mal, já estamos habituados a fazer. Desde há muito tempo.» («Novos portugueses para um novo Portugal», 1995, pág. 84.)
O terceiro tem a ver com desporto e, mais concretamente, com Jogos Olímpicos, inevitável num momento em que decorrem os de Londres 2012 e que com eles se repetem as previsíveis e habituais derrotas, frustrações, incompetências e insuficiências portuguesas. «(…) É difícil não falar em “fatalismo”: a tendência recorrente da presença portuguesa em Jogos Olímpicos é a de que não só os mais credenciados quase sempre perdem como também, invariavelmente, os menos credenciados não compensam aqueles, excedendo as expectativas e superando-se a si próprios e aos outros. E essa presença no evento máximo do desporto mundial – não só em Pequim mas também antes – é bem a “tradução” do que tem sido a “tradição” de mediocridade de todo o país em geral: o não aproveitamento de oportunidades, o desperdício de capacidades e de recursos por escassez de ambição, direcção, organização, enfim, de profissionalismo. Excesso só mesmo de desculpas de “mau perdedor” (e de “mau pagador”…), de lamúrias… e de patetices quando, aleluia, lá se ganha uma ou outra medalhinha! (…) É preciso instituir, finalmente, um verdadeiro sistema desportivo no país! E não tem que se estar sempre à espera do(s) Governo(s). O Comité Olímpico de Portugal, em colaboração com as diversas federações desportivas e respectivos clubes, e ainda com empresas que aceitem ser mecenas do projecto, deve, antes de mais, estabelecer um eficaz, eficiente e exaustivo programa de prospecção, selecção e formação de atletas: primeiro, deve definir um conjunto de critérios, de indicadores, físicos e psicológicos, e visitar todas as escolas do país e fazer um “rastreio” aos seus alunos, registando as suas características motoras e mentais e encaminhando-os para os desportos mais adequados a essas características; segundo, deve procurar, identificar e recuperar talentos que já estão fora do sistema de ensino, promovendo como que uma iniciativa de “novas oportunidades para o desporto”, incentivando todos os portugueses a “denunciarem” familiares, amigos, colegas e vizinhos que eles suspeitem que (ainda) têm, ou possam ter, jeito para atirar, correr, lançar, levantar, lutar, pedalar, remar, saltar… (…)» («Os anéis e as quinas», 2008, pág. 194.)

Octávio dos Santos

Contra o AO90 (Parte 4)

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