Acreditar na república?!

Hoje, 5 de Outubro, é a primeira vez desde há muitos anos que não é dia feriado. Porém, e insolitamente, isso não significou que os mais altos dirigentes políticos portugueses deixassem de participar na (habitual) cerimónia oficial na Câmara Municipal de Lisboa
… Que decorreu não cá fora, na Praça do Município, mas lá dentro, no salão nobre dos Paços do Concelho, não devido à instabilidade climatérica mas sim ao receio de serem ouvidas (novas) vaias, que o «Movimento Que se Lixe a Troika» se encarregou de providenciar – imbecis que ainda não perceberam que, se não fosse a «Troika», quem se lixava, e com «F grande», éramos todos nós. A palhaçada fora de portas esteve em consonância com a palhaçada dentro de portas: o presidente da (falida, e não só financeiramente) república lá esteve para proferir rotineiros discursos com o recentemente – e infelizmente – reeleito presidente da câmara, que bem podia ter convidado o «mais alto magistrado da nação» e demais convidados para o seu gabinete no Intendente, alugado em 2011 por dez anos a uma renda de quase seis mil euros por mês…
Dado que diversas «altas individualidades» marcaram presença para celebrar a (implantação da) república, podemos esperar que elas façam o mesmo a 1 de Dezembro para celebrar a (restauração da) independência, cujas festividades têm sido organizadas – há décadas – pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal? Considerando que nunca apareceram em anos anteriores, tal hipótese é altamente improvável. O que demonstra que as principais figuras deste regime, e não só, dão mais importância a serem republicanos do que a serem independentes. Em Agosto último, num dos seus artigos no Público, Vasco Pulido Valente escreveu que «ninguém hoje acredita na República, no comunismo ou na ditadura. De resto, o Exército, profissionalizado e pacífico, não é capaz de um verdadeiro “golpe” e menos de tomar conta dos sarilhos correntes.» Não é bem assim: Aníbal Cavaco Silva, Assunção Esteves, Pedro Passos Coelho, António Costa, António José Seguro, e outros, se não acreditam verdadeiramente na república, pelo menos acreditam… que têm que (continuar a) fingir que acreditam. Que mais lhes resta? Muito pouco ou nada. Ao menos este ano não puseram o porco pano verde e vermelho – símbolo de terroristas imposto como bandeira nacional – ao contrário. Já é um «progresso»…
… E, ao contrário do que afirma o conhecido articulista, as forças armadas – e, acrescento eu, as forças policiais e a magistratura – são capazes de fazer um «verdadeiro golpe» e de «tomar conta dos sarilhos correntes». Desrespeitadas como têm sido pelo poder vigente, também não lhes faltaria legitimidade para estabelecer alguma disciplina neste «sítio muito mal frequentado».

Octávio dos Santos

Contra o AO90 (Parte 8)

«Ainda a edição de Vieira e o Acordo Ortográfico» e «Ninguém sabe dizer nada», Vasco Graça Moura; «Maioria dos portugueses é contra o acordo ortográfico», Barroso da Fonte; «O acordo ortográfico e os problemas de saneamento», «Deixem estar a ortografia descansada», «O Expresso emigrou», «O mundo encantado das edições únicas», «Grafias duplas e uniformização ortográfica», «As duplas grafias como falsa questão», «Editora Leya confirma inutilidade do acordo ortográfico» e «Imagens do caos ortográfico», António Fernando Nabais; «Chinesices, princípios e valores», João Roque Dias; «Tempo de trabalhar mais e perguntar menos», Rocío Ramos; «O nosso maior trunfo», Rui Valente; «Números, 04-13», «É a “adoção» por “entendimento geral”, estúpido!», «”Deeds, not words” (ou “palavras leva-as o vento”)» e «Vox Populi», João Pedro Graça; «Porquê a ILCAO90?», Hermínia Castro; «Carta ao Círculo de Leitores», «”Nublosa”, ou ignorância crassa da língua pátria» e «Pessoas e coisas que eu não entendo – Vasco Graça Moura/Carlos Reis», António Marques; «Eppur si muove», «A coisa vista de fora» e «Tempus fugit», Graça Maciel Costa; «A nossa língua não precisa de engenharias computorizadas», Teresa Cadete; «Vamos a “Pârich”? Ou a “Páriss”?», «A língua ameaçada e os “corretores” ameaçadores», «Primeiro Ato (e depois desato?)» e «Lincoln, Brasil e o acordo estabanado», Nuno Pacheco; «Não foi notícia mas devia ser», «Espero que gostem», «Com todas as vogais e consoantes», «O que torto nasce nunca se endireita» e «Até já mandam a fonética às urtigas», Pedro Correia; «Um acto de verticalidade e de grandeza», Ana Isabel Buescu; «Telespectador? Telespetador? Depende», «Não há tradução para português e não se fala mais nisso», «Teoria geral da adopção facultativa», «O presidente da República e o discurso de Fação», «A CPLP e Maio. E o Keynes?», «O acordo ortográfico não está em vigor coisíssima nenhuma», «Sou contra a co-adoção de crianças por casais do mesmo sexo», «A prosa de Paulo Portas embotada pelo Expresso», «Nuno Crato e a unidade da língua portuguesa», «Acordo Cacográfico da Língua Portuguesa de 1990», «Duas ou três coisas sobre os fatos do Acordo Ortográfico de 1990», «Acerca dos fatos, só mais uma ou outra coisa» e «A saga dispensável e a hipocrisia ortográfica», Francisco Miguel Valada; «Ideia certa numa grafia errada» e «Pela palavra», João Gonçalves; «Como desperdiçar clientes em tempo de crise (2)», José António Abreu; «O aleijão», Pedro Mexia; «Wordpress em Português, sem Acordo Ortográfico», José Fontainhas; «O Desacordo», Helena Sacadura Cabral; «O acordo ortográfico do nosso descontentamento» e «Então o acordo serve para quê, afinal?», Ana Cristina Leonardo; «O aborto ortográfico», João Pereira Coutinho; «O espetro do acordo ortográfico», José Pimentel Teixeira; «Desliguem a máquina!», António de Macedo; «Acordo ortográfico – Um mau passo», Mário de Carvalho; «Sobre a XI Cimeira Brasil-Portugal de 10 de junho, perdão Junho», Luís Canau; «Juiz Rui Teixeira proíbe acordo ortográfico», Fernando Tavares; «A vingança ortográfica serve-se gelada», Fernando Venâncio; «Professores de Tróia», Maria do Rosário Pedreira; «O acordo do desacordo», Inez Andrade Paes; «Acordo ortográfico», Michael Seufert; «E é escrever assim, desacordadamente (continuação)», José Morgado; «O fim da nova ortografia?», Desidério Murcho; «Se eles não pararem…» e «Resistir», Cristina Ribeiro; «Desabafo contra o acordo», Omar Dammous; «Comentário ao Relatório do “Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico”, de 30 de Junho de 2013», Ivo Miguel Barroso.

Casanova «veio» antes

«Cartas de Casanova – Lisboa, 1757», editado neste ano de 2013 pela Sextante, é o mais recente livro de António Mega Ferreira. «Romance epistolar», inventa uma viagem feita a Portugal, e à sua capital, dois anos depois do terramoto, pelo famoso aventureiro e sedutor italiano, e contém as (seis) cartas que ele teria escrito aquando da sua estadia por cá, dando conta das pessoas, dos lugares, dos acontecimentos e dos costumes que encontrou…
… O que representa sem dúvida um projecto interessante por parte do jornalista e co-criador da Expo 98. Porém, não é uma ideia original. Na verdade, em outro livro, editado quatro anos antes, em 2009, se imaginou a visita de Giacomo Casanova a Lisboa após o terramoto, embora, é certo, num outro contexto, mais… «fantástico», e sem o desenvolvimento que o livro de AMF apresenta: exactamente, «Espíritos das Luzes». Mas que tem sobre estas «Cartas…» a vantagem de não estar escrito sob o aberrante, abjecto, ilegal e inútil «acordo ortográfico de 1990». Este Mega pode ter uma… elevada erudição mas não tem uma grande força de carácter. Em contrapartida mais vantajosa, pode-se e deve-se ler as verdadeiras palavras do veneziano (traduzidas por Pedro Tamen): a (primeira parte da) «História da Minha Vida» também foi editada este ano, e, (enorme) qualidade adicional, não obedece ao AO90!
Entretanto, o meu livro continua à venda numa loja muito especial no Terreiro do Paço, em Lisboa. E que, além de Casanova, também conta com as «presenças» de, entre outros, Kant, Sade e Voltaire.

Octávio dos Santos

«Ano Verney»

Hoje celebram-se 300 anos do nascimento, em Lisboa, de Luís António Verney, e, tal como anunciei a 11 de Julho, a efeméride foi evocada neste dia com uma conferência na Biblioteca Nacional, na capital de Portugal, em que participei juntamente com António Braz Teixeira, Jesué Pinharanda Gomes e Renato Epifânio…
… E coube a mim a honra, e o privilégio, de iniciar a cerimónia com uma alocução em que enunciei e expliquei as origens e os objectivos do «Ano Verney», em que, através de um conjunto de iniciativas, se lembra e se homenageia a vida, a obra, e a época, de um dos mais eruditos, ilustres e versáteis pensadores e escritores portugueses. Dei o devido destaque, e o merecido agradecimento, à BN, na pessoa da sua Directora Maria Inês Cordeiro, pelo apoio e pelo interesse nesta evocação, concretizada, antes de mais, na exposição que abriu em Maio e que se prolongará até 16 de Agosto, e na conferência por Zulmira Santos, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, também no passado dia 11.
Também fundamental é a colaboração da BN com o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, entidade que organiza(rá), no auditório da Biblioteca entre 16 e 18 de Setembro, o congresso «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», a principal iniciativa do plano de comemorações. O programa do congresso já pode ser visto no sítio do IFLB; tentar-se-á reequacionar o legado de Luís António Verney, e o dos seus contemporâneos, na actualidade, repensando, em simultâneo, todo o século XVIII luso-brasileiro em várias áreas do conhecimento: Artes, Filosofia, Ciências Naturais, Direito, Economia, Educação, Literatura, Política, Religião… Mais de 30 especialistas e estudiosos foram convidados para explanar e para debater as suas ideias e os seus trabalhos, entre os quais, e para além dos três que me acompanharam hoje, António Cândido Franco, Artur Anselmo, Duarte Ivo Cruz, Helena Murteira, Manuel Curado, Manuel Gandra, Maria Alexandra Gago da Câmara, Mário Vieira de Carvalho, Miguel Real, Pedro Calafate e Rui Lopo. Há o objectivo de, posteriormente, talvez em 2014, editar em livro as actas do congresso.
Outras iniciativas previstas do «Ano Verney» são: um colóquio de um só dia, no mesmo âmbito do congresso, a realizar no Porto em Dezembro deste ano, em dia e local ainda a determinar e a indicar; espectáculos musicais com base em compositores e em obras do século XVIII, tendo nesse sentido sido pedida a colaboração do Movimento Patrimonial da Música Portuguesa, dos Músicos do Tejo e da Orquestra Metropolitana de Lisboa; relançamento e divulgação de livros de Verney – entre as edições mais recentes, destaque para «Cartas Italianas», traduzidas do italiano por Ana Lúcia e Manuel Curado, e para «Lógica» e «Metafísica», traduzidas do latim por Amândio Coxito; um projecto a desenvolver com docentes e discentes de uma faculdade da Universidade de Lisboa, que implica a criação de desenhos inspirados num livro cuja acção se situa num século XVIII «alternativo» e fantástico, e em que uma das personagens se chama… Luís António Verney (mais pormenores serão, espera-se, dados brevemente); acções de carácter cultural e educativo com a Escola (Secundária) Luís António Verney, de Lisboa, procurando levar o conhecimento do seu patrono, dos seus contemporâneos, daquela época, às gerações mais jovens; e o lançamento de um selo comemorativo pelos Correios de Portugal – algo que, sem dúvida, já devia ter sido feito há bastante tempo.
Em (breve) entrevista concedida (por correio electrónico) a António Araújo para o seu blog Malomil, e publicada neste no passado dia 19 de Julho, justifiquei a homenagem a Luís António Verney com o facto incontestável de ser «um dos autores mais importantes da nossa literatura, e não apenas do século XVIII. Ele não se limitou a ser, o que já não seria pouco, uma das melhores mentes nacionais do seu tempo: também foi uma das melhores da Europa. Pela sua erudição, pela sua facilidade de comunicação, pela sua sensatez… enfim, pelo seu patriotismo, que o levou a contribuir à distância, porque estava em Roma, incansavelmente, durante anos, com o melhor do seu esforço intelectual, para o progresso e o desenvolvimento do seu país, e não só ao nível da educação… Pelo seu ecletismo, pela sua versatilidade, foi um autêntico enciclopedista… aliás, e curiosamente, em 2013 também se comemoram os 300 anos do nascimento de Denis Diderot.» Luís António Verney queria, com efeito, «instituir um sistema de ensino que abrangesse, que acolhesse, as mais recentes teorias e práticas do seu tempo. Queria “integrar” Portugal na Europa do conhecimento daquela época, “puxar” o país, tanto quanto possível, para a vanguarda da cultura e da ciência que ele via florescer à sua volta. Queria clareza, queria exigência, queria complementaridade, queria rigor, queria eficiência. Queria uma educação caracterizada pela relevância, que não se traduzisse em diletantismo e superficialidade. É por isso, e muito mais, que Verney é ainda hoje, e sempre será, uma referência de excelência.»
Esta conferência de hoje em particular, e o «Ano Verney» em geral, foram entretanto também abordados hoje no jornal Público, em artigo de duas páginas (centrais) assinado por Luís Miguel Queirós; nos blogs do Círculo António Telmo e da Nova Águia, e no Cadernos de Daath, de David Soares.

Octávio dos Santos

ACP «trocado por miúdos»?

Há mais uma entidade privada que decidiu comportar-se, em relação ao «aborto pornortográfico», como uma pública… ou seja, de uma forma cobarde e colaboracionista: o Automóvel Clube de Portugal.
Tendo verificado, no início deste ano, que a revista do ACP passou, abruptamente, a utilizar o aberrante «acordês», telefonei para a sede daquele a 12 de Março último, pedindo para falar com Carlos Barbosa, actual presidente da Direcção. Em vez disso, puseram-me em contacto com Rosário Abreu Lima, antiga assessora de Luís Marques Mendes e agora «dire(c)tora de comunicação institucional» do clube, para além de (ir)responsável máxima da sua publicação principal; ela confirmou que havia sido quem decidira proceder à alteração – tendo, aparentemente, imposto a sua vontade ao próprio Carlos Barbosa. De qualquer forma, expus-lhe os argumentos e os factos… irrefutáveis, aos níveis político, jurídico e cultural, que tornam ilegítimo, ilegal e inútil o AO90. Aquela pessoa não me apresentou propriamente um «contraditório»; não conseguiu, ou não quis, refutar o que eu disse. Porém, isso não significou que tivesse concordado comigo, porque as posteriores edições da revista do ACP continua(ra)m cheias de erros ortográficos…
O caso do Automóvel Clube de Portugal no âmbito do AO90 é especialmente insólito – e irritante – porque, mais do que outras organizações, esta já teve ocasião de presenciar, de se pronunciar… e de protestar contra transformações injustificadas que trouxeram – que trazem – mais desvantagens do que vantagens. Disse-o naquela conversa por telefone e reiterei-o depois em mensagem de correio electrónico: de quem se manifestou, e bem, contra as mudanças no trânsito em Lisboa, na zona da Praça do Marquês de Pombal e da Avenida da Liberdade, seria de esperar uma atitude semelhante perante uma situação… que tem muitas semelhanças. Como escrevi, «surpreende-me a atitude passiva, de submissão, do ACP em relação ao AO90: é que é o mesmo tipo de mentalidade distorcida, de raciocínio deficiente, que está na origem tanto das alterações na ortografia portuguesa como das alterações ao trânsito lisboeta. Em ambos os casos trata-se de dar “soluções” a problemas que não existem; de lançar a confusão onde existia um mínimo de estabilidade; de desviar para objectivos irrelevantes recursos que seriam mais necessários e melhor aproveitados em áreas verdadeiramente prioritárias.»
Tanto na conversa por telefone como na mensagem de correio electrónico também abordei as consequências do AO90 no ensino: «quem causa essa “confusão” é quem pretende impor esta anormalidade; mas, ainda mais caricato, repare na ainda maior confusão que a utilização do AO90 causa em crianças e jovens que aprendem, e cada vez mais cedo, o inglês, e que assimilam todas aquelas palavras com consoantes “mudas”, consoantes e vogais repetidas, e até várias palavras com o (alegado) arcaísmo do “ph”… Não seria melhor - quanto mais não seja por sermos um país europeu! - não nos afastarmos da língua inglesa, e também, já agora, da francesa, onde não se procede a absurdas “simplificações” que só prejudicam a aprendizagem e que são potenciadoras de analfabetismo e de iliteracia?»
Aparentemente, os actuais dirigentes do ACP não vêem qualquer contradição em, ao mesmo tempo que se distanciam ortograficamente do inglês, designarem o seu programa de educação rodoviária, dirigido para os mais novos, como… «ACP Kids». Serão as crianças anglófonas residentes em Portugal os alvos prioritários desta iniciativa? «Trocado por miúdos», a conclusão é inevitável: o maior clube português, além de pelo provincianismo, foi atingido pela hipocrisia. Simplesmente ridículo. É claro que existem outras instituições que se submeteram ao AO90 e que, ao mesmo tempo, não dão ao «novo português» uma utilização plena: veja-se a RTP e o seu serviço «Play»
E pensar que eu andei a gastar o meu tempo, e o meu «latim», a defender o ACP numa anterior situação em que foi discriminado. Não vale(u) a pena o esforço. Não merece(ra)m o empenho.

Octávio dos Santos

Da «mística» só a memória

Luís Filipe Vieira foi reeleito, a 26 de Outubro de 2012, Presidente da Direcção do Sport Lisboa e Benfica pela terceira vez consecutiva, com uma percentagem de 83% dos votos – o triunfo menos expressivo dos quatro que já conseguiu, pois nos anteriores teve sempre mais de 90%. De qualquer forma, são todos resultados típicos de ditaduras. Ao manterem este (bigodudo) «Pai dos Povos»… encarnados no poder pelo menos até 2016, os sócios benfiquistas confirmaram que se resignaram à mediocridade, à impotência e à incompetência, ao fracasso desportivo e financeiro.
Sim, os principais – se não os únicos – culpados pela actual situação do seu clube são os próprios benfiquistas. Os jogadores, atletas, colaboradores, são escolhidos pelos treinadores, técnicos, gestores; quem escolhe estes são os presidentes, os dirigentes; e quem escolhe – elege – estes são os sócios. E estes há muitos anos que não «acertam uma». Recordemos: elegeram Manuel Damásio quando deviam ter elegido José Capristano – e, acredito, Artur Jorge não teria entrado; elegeram João Vale e Azevedo quando deviam ter elegido Luís Tadeu – e, acredito, muitos (ou todos os) escândalos teriam sido evitados; elegeram Manuel Vilarinho quando deviam ter elegido… João Vale e Azevedo! – e, acredito, José Mourinho não teria saído; e elegeram Luís Filipe Vieira, então ainda sócio do Futebol Clube do Porto (só deixou de o ser em 2009) e do Sporting Clube de Portugal, quando deviam ter elegido Jaime Antunes…
Desde 2003 no cargo de presidente, e tendo imposto em 2010 (para dificultar a oposição) uma alteração estatutária que torna mais difícil ser presidente do SLB (idade mínima de 43 anos) do que da república portuguesa (35), o «homem dos pneus» tem para mostrar como principais «conquistas» da sua liderança de uma década: o saldo negativo (mais derrotas do que vitórias) no total de jogos oficiais de futebol disputados com o Porto em toda a história do Benfica, que viu-se igualmente superado pelo clube da Invicta no total de troféus conquistados na modalidade; e a inexistência de jogadores portugueses titulares na equipa principal – o completo oposto daquela que, durante muitos anos, se orgulhava de ser a única sem estrangeiros. E Vieira partilha com os seus antecessores dos últimos trinta anos o maior fracasso do clube: a ascensão de Jorge Nuno Pinto «Bimbo» da Costa à posição de força dominante no desporto nacional – um estatuto, e uma supremacia, que nem todas as (esclarecedoras) escutas telefónicas conseguiram anular.
A decadência do Benfica fora das quatro linhas só é superada pela decadência dentro delas. Será que não há limites para a capacidade do clube de se cobrir de ridículo? Aparentemente, não. Considerem-se apenas as duas últimas épocas. A de 2011/2012 foi caracterizada pelo insucesso em quase todas as frentes internas e externas: só se venceu, mais uma vez, a Taça da Liga; e o campeonato acabou por ficar decidido, a favor do FCP, com o triunfo deste sobre o Benfica em jogo disputado no Estádio da Luz a 2 de Março de 2012 – num mês uma vantagem de cinco pontos transformou-se numa desvantagem de três. Seria difícil fazer pior, mas o Benfica conseguiu-o: a época de 2012/2013 foi caracterizada pelo insucesso em todas as frentes internas e externas: nem Taça da Liga (derrota com o Braga na meia-final, tal como em 2011 na Liga Europa), nem Taça de Portugal (derrota com o Vitória de Guimarães na final), nem Liga Europa (derrota com o Chelsea na final); e o campeonato acabou por ficar decidido, a favor do Porto, com o triunfo deste sobre o Benfica em jogo disputado no Estádio do Dragão a 11 de Maio de 2013 – numa semana uma vantagem de quatro pontos transformou-se numa desvantagem de um.
Afinal, porque é que Jorge Jesus ainda é treinador? Se Vítor Pereira consegue ganhar o campeonato duas vezes seguidas, então provavelmente até o «Emplastro» conseguiria ser campeão pelo FCP… Aliás, perder com a equipa de Pinto da Costa, tanto fora como até em casa, está a tornar-se, cada vez mais, uma (má) «tradição» para os lados da Segunda Circular: na época de 2010/2011 tanto o Campeonato Nacional como a Taça de Portugal foram entregues, em derrotas como visitado, pelos (pobres) «diabos vermelhos» aos fornecedores de «café com leite» e de «fruta». E os desaires não se restringem ao futebol: também este ano o Porto foi campeão em andebol e em hóquei em patins na sequência de triunfos sobre o Benfica.
Da lendária «mística» já só resta a memória. E não vale a pena continuar a procurar «consolação» na História. A «glória» do SLB terminou, internacionalmente, há mais de 50 anos, em 1962, com a vitória sobre o Real Madrid na sua segunda final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Depois disso, e além de duas Taças Intercontinentais, foram sete finais europeias perdidas. O passado, e não só o presente, tem trazido mais tristezas do que alegrias. É difícil esquecer, entre tantos outros desastres: as três eliminações sucessivas aos pés do Liverpool; os sete golos metidos pelo Celta de Vigo; os 0-5 em casa com o Porto que antecederam a morte de Nuno Ferrari; a época de 2003/2004 que começou tal como acabou, ou seja, «à italiana» - eliminação por uma equipa transalpina em má forma (primeiro a Lazio no acesso à Liga dos Campeões, depois o Inter na Taça UEFA) numa derrota com quatro golos sofridos; perder com o Beira-Mar na inauguração do novo estádio; deixar-se escapar, ou mandar-se embora, nomeadamente, Cristiano Ronaldo, Deco, Edgar, Fernando Meira, Jardel, João Pinto, Maniche, Manuel Fernandes, Miccoli, Miguel, Mostovoi, Ricardo, Ricardo Rocha, Simão Sabrosa, Stanic, Tiago… e, mais recentemente, David Luís, Nuno Gomes, Quim, Ramires e Ruben Amorim.
Será que a «maldição de Béla Guttmann» se generalizou? Agora incide também sobre as presenças nas competições europeias e os triunfos (escassos) nas caseiras?
E como é que se pode afirmar, sem rir, que o Benfica é «a maior marca nacional»? Porque conta com seis milhões (?) de «consumidores» masoquistas? Antes ser o melhor do que o maior! Sinceramente: é isto que é «o maior clube do Mundo»? Antes estar no «Livro de Recordes Guinness» pelos títulos conquistados do que pelo número de sócios. E se o SLB fosse uma (verdadeira) empresa há muito tempo que estaria falido. É em Portugal o maior caso de insucesso, não só competitivo mas geral. É a expressão máxima no nosso país de baixa produtividade, de expectativas (constantemente) frustradas, de desproporção entre o que se «investe» e o que se «recebe». Tantas pessoas a «torcerem» por ele… e que em troca só levam com decepções, desilusões, depressões, humilhações.
O Benfica é um clube corroído pelo fatalismo afadistado, pela nostalgia nociva, pela superstição sem sentido. Solução? Refunde-se o clube, mexa-se em tudo, de alto a baixo, da esquerda para a direita, de dentro para fora! Renove-se o símbolo. Quer-se outra imagem, outra atitude… e outras pessoas. Chega de confortar e de aclamar perdedores crónicos!

Octávio dos Santos

(Artigo publicado no jornal Público, Nº 8451, 2013/5/31)

Língua-mãe… ou madrasta?

Hoje celebra-se não só o Dia da Mãe mas também o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura, instituído pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Pelo que se justificam breves referências a algumas individualidades e instituições que têm transformado – ou tentado transformar – a Língua-Mãe numa língua… madrasta, através, principalmente, da imposição dessa aberração ilegal, inútil e ridícula conhecida como «acordo ortográfico de 1990»…
… E pode-se começar exactamente pela CPLP, e, mais concretamente, pelo seu país mais representativo, o Brasil, cujo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a poucos dias da celebração…. da língua portuguesa, decidiu que as bolsas de estudo atribuídas, no âmbito do programa «Ciência sem Fronteiras», a cerca de sete mil estudantes brasileiros que haviam escolhido o nosso país como destino deveriam ser reafectadas para outras universidades que não as portuguesas. Porquê? Porque eles «têm que enfrentar o desafio da segunda língua. Por isso todos foram convidados a migrar para outros países». Que «magnífico» exemplo este de um Estado que desrespeita as opções dos seus cidadãos… Enfim, é mais uma falácia de uma «cooperação cultural lusófona» em que abundam as palavras – cada vez mais deturpadas – mas em que escasseiam os actos concretos, eficazes, relevantes, úteis.
Neste âmbito, mas não só, é difícil haver personificação mais patética do que o actual (p)residente da república portuguesa Aníbal Cavaco Silva. Primeiro e principal responsável pelo AO90 (iniciou-o enquanto primeiro-ministro e «ratificou-o» enquanto chefe de Estado), está reduzido a assinar discursos e artigos ridículos como o que foi publicado no jornal Sol na edição de 3 de Maio último. Escrito, como não podia deixar de ser, em «acordês», e a propósito, precisamente, do «dia da língua portuguesa», exalta a lusofonia como «um conceito moderno, plural e evolutivo, moldado pela atualidade das sociedades vibrantes que a compõem e fundado na língua portuguesa» sendo esta «um dos principais ativos estratégicos dos países que a compõem, com a sua afirmação internacional a constituir um objetivo prioritário.» O facto de as «vibrações» dessas sociedades no que respeita ao AO sempre terem sido maioritariamente negativas é apenas um pormenor de reduzida ou nula importância…
Além dos políticos, outros «profissionais» existem que exibem considerável culpa e/ou cumplicidade na imposição acrítica do totalitarismo linguístico-cultural. Desses destacam-se os jornalistas, e aqui e agora há que referir dois casos de «excelentíssimos diretores» que são outros tantos maus exemplos. Primeiro, Ví(c)tor Serpa; enquanto ficcionista, não utiliza o «aborto pornortográfico», como aliás se pode confirmar no seu último livro, o romance «O Segredo dos Pássaros», onde consta a informação, na ficha técnica, de que «por vontade expressa do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico de 1990»; porém, o jornal A Bola, de que ele é (supostamente) o responsável máximo, submeteu-se ao dito cujo, o que teve como consequência que aquele que já foi como que uma «bíblia», não só do desporto mas também da cultura e da cidadania nacionais, seja hoje apenas um reles pasquim. Na mesma situação está o Jornal de Letras, Artes e Ideias, embora o seu «diretor» constitua um exemplo muito, muito pior; José Carlos de Vasconcelos integra(rá) em lugar de relevo uma «galeria da infâmia» dos que colaboraram mais activamente com os fascistas da ortografia; e a sua mais recente demonstração desse colaboracionismo está no editorial da edição (Nº 1110) do JL de 17 de Abril último, em que o Sr. Vasconcelos tem o atrevimento de, criticando a oposição à edição da obra completa do Padre António Vieira em obediência ao AO90, se referir à «cruzada de alguns opositores» marcada pela «cegueira» e pelo «extremo radicalismo»; o Sr. Vasconcelos deveria estar a olhar-se ao espelho (de uma janela?), porque os verdadeiros «radicais», os autênticos «terroristas culturais», são aqueles que alteram toda uma ortografia à medida dos seus caprichos e devaneios utópicos, sem qualquer correspondência com as necessidades concretas das nações e das pessoas que utilizam aquela.
Outro exemplo mais recente, e mais anedótico, de «hipocrisia linguística» é o da edição do livro «Out of the Office», de que um dos autores é o jornalista da TVI José Gabriel Quaresma e que contou com o prefácio e a apresentação de José Alberto Carvalho, director de informação da mesma estação. Para eles, que se submeteram igualmente ao AO90, aparentemente não há contradição na utilização de palavras estrangeiras (com um duplo «f» numa delas!) no título, e que a promoção inclua a possibilidade de conexão com… smartphones – uma palavra com o «arcaico» ph!
Sim, é verdade que nem toda a comunicação social se rendeu ao «acordo». No entanto, também é verdade que uma parte significativa dela se rendeu, com destaque, precisamente, para as três estações de televisão portuguesas. A pior delas, claro, é a RTP, porque, ao contrário de SIC e da TVI, é financiada com dinheiro dos contribuintes, a maioria dos quais se opõe ao AO90; e porque mais do que o utilizar, faz propaganda ao dito cujo, em especial (mas não só) nessa dose diarreica diária que é o «Bom Português» no «Bom Dia Portugal»; ironicamente, com o patrocínio da Porto Editora, cujo administrador e director editorial, Vasco Teixeira, em audiência recente no parlamento no âmbito do grupo de trabalho sobre o «acordo ortográfico», admitiu que aquele não tem, não traz, qualquer vantagem. Está visto que para muitos «jornalistas», neste tema como em outros, o fundamental é obedecer a uma «agenda», a uma narrativa, e/ou obedecer… ao(s) «chefe(s)»; para eles isso é mais importante do que dar voz aos opositores do «aborto», o que até poderia proporcionar o aumento de audiências e de tiragens; é mais importante do que a deontologia profissional básica - ouvir, e respeitar, as diferentes partes de um conflito, de um confronto.
Todavia, mais do que dos jornalistas, é dos professores que se deveria esperar a primeira atitude mais corajosa e mais firme contra a sabotagem cultural e comunicacional que é o AO90. Contudo, e apesar de várias e louváveis excepções individuais, as organizações – associações, sindicatos – que agregam e representam os docentes continuam a caracterizar-se pela mais lamentável e indecente capitulação. Não consta que nos «atentados quotidianos à educação» denunciados por Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, e que têm justificado várias greves e manifestações nos últimos anos, esteja incluído o «aborto pornortográfico». A conclusão inevitável – e talvez (algo) injusta – é que, desde que as colocações, as remunerações e as carreiras estejam asseguradas, qualquer porcaria pode ser ensinada aos nossos filhos e às nossas filhas. Já agora, porque não voltar a pendurar fotografias de Caetano, Salazar e Thomaz nas paredes das escolas?
Finalmente, como ilustração máxima do absurdo a que este assunto chegou, veja-se a «justificação» dada por um dos (ir)responsáveis do WordPress Portugal para a submissão ao «aborto», em que «dois consensos alargados, a oposição quase unânime e uma enorme resistência em aplicá-lo» se transformam num «entendimento geral de que se deveria avançar para a adoção do AO90» (leiam-se igualmente os comentários, entre os quais o meu). Não restam dúvidas: o «acordo ortográfico» é a «mãe (ou o pai?) de todas as parvoíces» na língua portuguesa, neste dia e em todos os outros.

Octávio dos Santos

Contra o AO90 (Parte 7)

«O acordo obscurantista», Maria Alzira Seixo; «Carlos Reis e os decibéis», «A propósito de uma carta aberta», «Consoantes mudas, etimologia e outras coisas úteis e agradáveis», «O bom senso de Rui Moreira e de Júlio Machado Vaz», «Acordo ortográfico aumenta as diferenças ortográficas entre Portugal e o Brasil», «A recessão já chegou à língua», «Com o acordo ortográfico há mamas até ao tecto» e «A prova faz-se já aqui ao lado», António Fernando Nabais; «O que o espetador deteta», «A diferença que um acento faz», «Efeitos do aborto ortográfico» e «Chumbo grosso nas consoantes», Pedro Correia; «Histórias portuguesas», Vasco Pulido Valente; «Ah! Como é diferente o escrever em Portugal…» e «E se fosses “unificar a língua” para a Coreia do Norte?», Ana Cristina Leonardo; «Um “acordo” cada vez mais “corruto”», «A tentadora luz da letra viajante» e «Uma fervente sopa de letras», Nuno Pacheco; «Requerimento formal dirigido aos Ministros da Educação e dos Negócios Estrangeiros», Madalena Homem Cardoso; «Desacordo», Abel Neves; «Acordo Ortográfico: é a hora da recusa», Cecília Enes Morais; «”O” CPLP», «A mordedura» e «Vieira queimado em… “esfinge”», Vasco Graça Moura; «A falsa unidade ortográfica», Maria Regina Rocha; «O desastre ortográfico», Miguel Sousa Tavares; «Uma questão de respeito», João Gonçalves; «A apreensão da lógica e da substância», «A adopção do Acordo Ortográfico de 1990 e o Diário da República – Caos, anarquia e disformidade», «Fatura simplificada», «Descubra as diferenças», «O acessor e a Cristine», «Em Março, a aprender como o Presidente actua», «Um assunto sobretudo da área dos Negócios Estrangeiros…» e «A imagem e o problema», Francisco Miguel Valada; «O monólogo ortográfico», Luís Menezes Leitão; «Cibertretas da Língua Acordesa», David Baptista da Silva; «Império da língua portuguesa: ascensão e queda?», António de Macedo; «A ILC e a “revisão” do AO90», João Pedro Graça; «Lição de casa», António Delfim Netto; «Deixem-se “enredar”», Mário de Seabra Coelho; «É o que dá terem sido dois a escrever aquilo», João Vacas; «Como desperdiçar clientes em tempos de crise», José António Abreu; «Desacordo ortográfico?», Mauro M. de Azeredo; «Uma aventura desastrosa», João Fabião; «O Manifesto de Girona e os “fatos com-seus-medos”» e «O problema das certezas absolutas», Teresa Cadete; «Contra o acordo ortográfico» e «Incompetência, descoordenação e irresponsabilidade», Desidério Murcho; «Contra o acordo ortográfico 2», Carlos Fiolhais; «Sinto-me como se me estivessem a tramar pelas costas», Paula Blank; «A inutilidade do acordo ortográfico de 1990», Isabel Coutinho Monteiro; «Ortografia e despotismo», José Barreto; «”Retifique-se”», Samuel de Paiva Pires; «Resposta a Gabriela Canavilhas», Graça Maciel Costa; «Importantíssima questão identitária», Ana Isabel Buescu; «Contribuição para o debate sobre a “Aplicação do Acordo Ortográfico”», António Marques; «Sobre o acordo ortográfico» e «Não merecia Vieira este tratamento», Maria do Carmo Vieira; «Uma História a respeitar», Cristina Ribeiro; «O Acordo Ortográfico e os seus trolhas», António Guerreiro.

Defender o Futuro

Assinei hoje a petição «Defender o Futuro». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui. Tive conhecimento da mesma apenas recentemente – mas antes de ela ter sido entregue na Assembleia da República no passado dia 5 – e decidi subscrevê-la exactamente, e simbolicamente, um ano depois de ter sido lançada porque este é igualmente o dia do aniversário do meu irmão.
Lê-se no texto que explica a iniciativa: «Portugal afunda-se hoje numa profunda crise económica e social, a que não é alheia a teia legislativa dos últimos seis anos de governação, destruidora dos pilares estruturantes da Sociedade. A reforma da Sociedade não deve ser realizada apenas na área económica e fiscal. Carece de uma intervenção mais profunda, designadamente no que diz respeito à Dignidade da Pessoa, em todas as etapas da sua vida, desde a concepção até à morte natural, à cultura da Responsabilidade, do compromisso no Casamento e na Família; por outras palavras, é necessária uma verdadeira cultura da Liberdade. (…) A nova Assembleia da República tem hoje um dever histórico de mudar o rumo do País. O desleixo e negligência anteriores devem dar lugar a uma política de responsabilidade e solidariedade expressa em leis que: coloquem e reconheçam a Família como fundamento da Organização Social na promoção de responsabilidade pessoal, solidariedade intergeracional e fomento da Economia; reconheçam ao casamento as funções para que está vocacionado, com vínculos e laços de responsabilidade pessoal que promovam e protejam todos e cada um dos seus membros; apelem a uma maternidade e paternidade responsáveis, generosamente abertas à vida; protejam e promovam a natalidade e a vida humana em todas as suas fases, desde a concepção até à morte natural; promovam uma verdadeira política de liberdade de educação onde os pais, independentemente de terem ou não recursos, possam escolher a escola dos seus filhos; reconheçam aos pais o direito a educar os filhos segundo as suas opções éticas e de valores. (…)»
As opiniões e posições ideológicas subjacentes a esta iniciativa explicam porque a mesma foi pouco menos que ignorada por uma comunicação social portuguesa quase toda «encostada» à esquerda. Curiosamente, o espaço mediático que, segundo pensamos saber, mais atenção terá dedicado à petição «Defender o Futuro» e/ou os seus pressupostos foi o programa «Você Na TV» da TVI, na sua emissão de 8 de Março último. Aí Isilda Pegado, uma das primeira(o)s signatária(o)s daquela, enfrentou representantes do BE, do PCP e do PS – e, como os dois apresentadores também se opunham ao teor da petição, verificou-se na práctica uma desigualdade de um(a) para cinco. O que também explica que não tenha sido possível à antiga deputada do PSD, apesar da sua boa vontade e coragem, suster e sobrepor-se às (previsíveis e habituais) falácias teóricas dos «fracturantes» de serviço, cuja demagogia e desonestidade intelectual parecem não conhecer limites.
Comigo não levariam – nunca levariam – a melhor, mesmo que em vez de cinco fossem 10, 15, 20 ou mais: já observo e analiso estas criaturas há muitos anos e sei como responder e desmontar (a)os seus «argumentos» da treta (e de trampa). Mas seria pouco provável que do quarto canal me convidassem para isso ou para qualquer outra coisa, tendo em conta que, ainda recentemente, me discriminaram de uma forma deliberada e ostensiva (e ofensiva). Pois é, 20 anos depois de ter sido fundada, como está diferente a «televisão da igreja»…

Octávio dos Santos

Sobre o Regicídio…

… De que hoje se assinala mais um (triste) aniversário, recomendo a leitura de textos de David Garcia («105 anos depois do Regicídio, não esquecemos!»), João Afonso Machado («Para além da efeméride»), João Amorim («No dia 1 de Fevereiro a escumalha não tem pesar»), João Pinto Bastos («Recordar o Regicídio»), Miguel Castelo-Branco («O erro dos regicidas») e Nuno Castelo-Branco («O Regicídio não foi esquecido, jamais o será!»).

Contra o AO90 (Parte 6)

«Ainda as facultatividades do Acordo Ortográfico de 1990 - Algumas notas críticas», José Paulo Vaz; «Uma bassula ao Acordo Ortográfico» e «A “estandardização” da língua portuguesa», Wa Zani; «O Acordo Ortográfico e a tradução para português», Paula Blank; «Futilidade estatista», Eduardo Freitas; «Ainda e sempre o malfadado Acordo Ortográfico da LP de 1990» e «O Acordo Ortográfico da nossa desunião», António Viriato; «Contra fatos, os argumentos», Francisco Miguel Valada; «Petições contra o acordo ortográfico», José Pacheco Pereira; «Bechara, um mentiroso compulsivo!», João Pedro Graça; «Os dislates de Evanildo Bechara», «Mas então não íamos todos escrever da mesma maneira?», «O Acordo Ortográfico já não causa impacto», «Viegas, boçalidades e patetices», «Rui Tavares é mais ou menos a favor», «E terá sido contactado?», «E agora, Manuel?» e «Acordo Ortográfico no Parlamento, a luz ao fundo do túnel?», António Fernando Nabais; «O Acordo, outra vez», «O cadáver adiado» e «Urgentemente», Vasco Graça Moura; «Carta aberta em defesa da língua-mãe portuguesa - o português de Portugal», Dulce Rodrigues; «A viúva e a virgem», Janer Cristaldo; «A minha pátria é a língua portuguesa», Samuel de Paiva Pires; «O acordo ortográfico e o peido-mestre», Mouzar Benedito; «Brasil rasga Acordo Ortográfico!», «Mete, e mete muito bem!» e «”Orgulhosamente sós!” E agora, Portugal?», Pedro Quartin Graça; «Uma paneleireza portuguesa», Joaquim Carlos; «E agora, burr’calhos?», Paulo Selão; «E é escrever assim desacordadamente», José Morgado; «O Aborto Horrográfico», Luís Monteiro; «Foi você que pediu um acordo ortográfico?», António Jacinto Pascoal; «É a ortografia, pá», Rui Bebiano; «A(c)ta ou desata?», António Bagão Félix; «Carta ao Primeiro-Ministro», António de Macedo; «Acordar melhor», Maria do Rosário Pedreira; «É desta que o AO vai à vida?», Telmo Bértolo; «Alegria breve ou a língua de Pandora», Nuno Pacheco; «Brasil adia Acordo Ortográfico: e agora?..», António Marques; «Sem tom nem som» e «A ideia de “língua”», João Gonçalves; «Dilma, rasgue o acordo ortográfico», João Pedro Coutinho; «Aborto acordográfico», João Pinto Bastos; «Avacalharam a língua portuguesa», Sérgio Vaz; «Uma dor na língua», Leonardo Ralha; «”Minhas mágoas eram negras, negras ficaram as águas”…», Cristina Ribeiro; «O remendo», José Horta Manzano; «Nem gregos nem troianos, assim-assim», Helena Buescu; «Carta ao Ministro da Educação», Rui Miguel Duarte.

Sobre um «Processo», no Público

Na edição da passada quarta-feira, 26 de Dezembro (Nº 8296), do jornal Público está o meu artigo «Processo Retro-ortográfico Sem Curso». Um excerto: «(…) É de perguntar a todos aqueles que sugerem, ou acusam mesmo, os actuais governantes de serem «fascistas» e que os ameaçam com hipotéticos golpes militares, se: antes de mais, sabem ou se lembram como é que era, e o que implicava, o verdadeiro fascismo, mais concretamente a sua versão portuguesa salazarista-marcelista; e se eles próprios exercem o mais básico acto de anti-fascismo que é… não escrever segundo o «aborto pornortográfico». Que é, mesmo, neo-fascista e neo-colonialista; os seus criadores, os seus proponentes e defensores são, mesmo, neo-fascistas e neo-colonialistas. Quem tem dúvidas pode dissipá-las ouvindo Fernando Cristóvão numa entrevista concedida em 2008, que esclarece o que pensam os «acordistas» sobre o processo legislativo num regime democrático – em que, supostamente, as leis não são dogmas nem mandamentos, e, logo, são alteráveis e revogáveis – e a independência, a soberania – cultural e não só – dos países africanos de língua oficial portuguesa. (…)» Transcrição parcial no sítio da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico.

Octávio dos Santos

Nem dadas!

Não é a primeira nem, certamente, será a última empresa portuguesa a lançar no mercado nacional, e, logo, principalmente, preferencialmente, para os consumidores portugueses, um produto ou um serviço com uma designação em inglês. Porém, a Porto Editora não é, neste âmbito, uma empresa qualquer, e não só por se ter especializado em dicionários e em manuais escolares: é «apenas» a entidade privada que mais tem preconizado, no nosso país, a aplicação do malfadado «acordo ortográfico de 1990»…
… Pelo que não pode deixar de ser considerado incongruente, e até ridículo, que uma das suas mais recentes iniciativas editoriais tenha sido denominada como… «Book Gift»! Sim, tanto «amor» pela língua portuguesa, tanto «empenho» na sua defesa, tanto «esforço» na sua valorização… e «uniformização»! Há, pois, motivos para esperar que, se voltarem a dar um tom anglófono a um próximo lançamento, não hesitarão em utilizar palavras com «ph» e consoantes repetidas, que só em português são «arcaicas»… Por exemplo, «Reading Support»; ou «Philosophy Essentials»; ou, emulando a SIC e a TVI, cujos espaços para as crianças são, respectivamente, SIC K e K Kanal (mais um «k» e estariam a envergar capuzes brancos), uma colecção para os mais novos intitulada «Kids Colection»… porque, enfim, «coletion» não ficaria bem, não é verdade?
Como com qualquer livro ostentando o símbolo da Porto Editora, estas «Book Gift(s)» são, se possível, de evitar, de boicotar, não comprar. Nem dadas!

Octávio dos Santos

Sobre o fantástico, na LCV

O meu artigo «A nostalgia da quimera», que tem como subtítulo, tema e tese «O fantástico é o género dominante na literatura portuguesa», foi (re)publicado na edição Nº 4 (páginas 107-110) da revista Letras Com Vida – correspondente ao segundo semestre de 2011, mas só agora disponível – depois de, originalmente, ter sido publicado no sítio na Internet do jornal Público, a 18 de Novembro de 2011. A Letras Com Vida, propriedade do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é dirigida por Miguel Real e por Béata Cieszynska. Registos audiovisuais da apresentação em Lisboa, ocorrida no Museu do Teatro no passado dia 30 de Outubro, podem ser acedidos aqui, aqui e aqui.
(Adenda - Só a 28 de Novembro vi, finalmente, um exemplar desta revista, e constatei, para minha surpresa e indignação, que o meu artigo havia sido editado segundo o «acordo ortográfico» - sem, obviamente, o meu conhecimento e a minha autorização. Pelo que, inevitavelmente e logicamente, não reconheço, e repudio, esta «versão». E fico à espera de um pedido de desculpas.)

Octávio dos Santos

Contra o AO90 (Parte 5)

«AO90 – Um documento “analfabético”» e «Carta ao M. E. C.», Fernando Paulo Baptista; «À imprensa nacional que se respeita», «Acordai!» e «Bandeira e língua», Maria José Abranches; «Em bom brasileiro», Nelson Reprezas; «Quem para um Acordo Ortográfico que pára a racionalidade da língua?», João Viegas; «Carta aberta aos governos de Angola e de Moçambique», António de Macedo; «Tu, cego, não verás», David Baptista da Silva; «E é escrever assim desacordadamente», José Morgado; «Cuidado com a língua», Rodrigo Guedes de Carvalho; «Um vocabulário alarve», João Gonçalves; «Dos efeitos do Acordo Ortográfico (ou o que sucede quando se abre a caixa de Pandora)» e «De que “português” estarão a falar? E who cares?», José António Abreu; «A língua do Acordo – Que língua é essa?», «i que má surpresa» e «”Terá o povo de esquerda capacidade de dar a volta por cima?”», António Marques; «Acordo Ortográfico – Sabor a pacto», «(…) – E quando um brasileiro procurar a recepção de um hotel…», «(…) – Foi você que pediu uma gramática única?», «(…) – O homem da minha vida», «(…) – A fissão da ficção», «(…) – Consoante antes de consoante não se escreve», «(…) – Esquisso do acordista» e «(…) – A displicência dos professores», António Fernando Nabais; «Apelo a um amigo defensor do acordo ortográfico» e «Há coisas que soam melhor em português do Brasil», Rui Rocha; «Sobre finanças, electricidade e sonoplastia», «A razão das raízes», «Repreensão ao Ciberdúvidas» e «A recepção da recessão», Rui Miguel Duarte; «Fernando Pessoa e a ortografia» e «Malefícios no ensino do Português», Maria do Carmo Vieira; «Ortografia no Verão», Hermínia Castro; «Quero escrever com uma ortografia racional», Eduardo Cintra Torres; «Um pouco mais de rigor, sff», «Monti, de fato», «As aftas de Ronaldo», «O Ártico em vias de extinção? Óptimo!», «A redacção, o ato e os actos», «A deriva», «O Acordo Ortográfico através do monóculo», «A RTP deixou de adoptar o Acordo Ortográfico? Óptimo!», «Para quê?» e «Contra o Orçamento de Estado para 2013», Francisco Miguel Valada; «”Eurofonia” e Lusofonia, a mesma farsa», Nuno Pacheco; «Lusofonias», Duarte Branquinho; «Evolução artificial imposta por decreto», Pedro Afonso; «Do milagre da estrada de Damasco, ou da semelhança entre Saulo de Tarso e D’Silvas Filho», Pedro da Silva Coelho; «Sou espanhola e sou contra o AO90», Rocío Ramos; «Acordo Ortográfico», José Pacheco Pereira; «A verdadeira expressão da decadência portuguesa», Samuel de Paiva Pires; «O “progressismo linguístico”, a “evolução” e patranhas que tais», João Pedro Graça; «A poesia e o acordo ortográfico» e «O invito acordo ortográfico», José Pimentel Teixeira; «O acordês – sórdida teimosia», Paulo Rodrigues da Costa.