Esperando um som…

A paz vem até mim…Até sei que se me aguentar eu vou assistir à tua chegada! Mas por favor vem depressa.É porque que se demoras a única paz que vou encontrar é a paz do céu e essa ainda não a quero. Bem receio que ainda tenho muito tempo para a demolhar eternamente. 

Estas eram as palavras que o Sr. J. proferia com a cabeça junto dos carris de ferro junto a uma qualquer estação da C.P. Pois esperava ele a chegada do seu comboio, estava munido de bilhete e tudo, e havia colocado o seu ouvido num dos quatro carris que compunham as duas linhas que serviam a estação, fazia-o apenas para se assegurar que o seu comboio da paz, que tanto almejava a chegada, estaria de facto aproximar-se.Mas, não passava qualquer comboio naquelas linhas, pelo menos, a três dias. Apesar do constante anuncio nos altifalantes da estação para os utentes não ultrapassarem a linha amarela. O que é facto é que a estação em alguns momentos estava aparentemente cheia de passageiros apressados, em outros tantos momentos parecia toscamente vazia, mas no geral parecia uma actividade normal de um qualquer dia com normal actividade de passageiros
em trânsito. Mas o Sr. J. não assistia à chegada do seu comboio, nem tão pouco a ele era perceptível a azafama diária dos passageiros circulantes, se é que ela existia, pois a sua realidade era tão só apenas se limitar a escutar, muito atentamente, os sons que eram propagados através da linha.
E que coisas escutava? Ouvia o som do vento que batia nos carris que alinhava maravilhosas melodias não projectadas, melodias de sonho e medo, de sons surdos e abertos, alguns parecidos com melodias ecoadas pelos canos aborígenes, outros como se fossem giz a riscar um quadro, mas normalmente dedicava-se a não escutar nada.Estranhamente o Sr. J. não sentia cansaço ou angustia pela espera, nem tão pouco necessidade de reclamar do atraso. A sua atenção detinha-se apenas naqueles carris. Escutava atentamente cada um dos quatro alternadamente, pois não tinha ideia de qual a direcção do comboio que tinha decidido esperar. Esse facto destacava-o do chão de quando em quando, sempre em grande velocidade, quando efectuava a transição, pois não queria de modo algum, perder o primeiro som - anuncio da chegada comboio que ansiosamente aguardava.

«Adeus português»… «olá ibérico»!

Mas que «surpresa»! Portugal perdeu com a Espanha no Campeonato do Mundo de Futebol 2010, na África do Sul, e foi eliminado da competição. Enfim, mais uma «grande campanha» do «desporto-rei» nacional, na sequência das já efectuadas em 2002, 2004, 2006 e 2008.
Alguns em Portugal decerto não ficaram muito tristes com a derrota frente a «nuestros hermanos»… Por exemplo, José «Espanha, Espanha, Espanha» Sócrates e António «Lisboa, praia de Madrid» Mendonça… Nem Mário Soares, recentemente «coroado» como «o mais ilustre português vivo» e que defende a realização de «conselhos de ministros ibéricos»… e, claro, Gilberto Madaíl, entusiástico proponente de uma candidatura conjunta a um próximo Mundial (2018? 2022?) que pretende exaltar – em duas cidades de cá (a capital e o Porto) e 16 (!) de lá – o carácter do «homo ibericus»… Aliás, para quê continuar a tentar adiar o «inevitável»? Se já tantos portugueses o querem, cumpra-se o sonho de José Saramago e proceda-se à união ibérica!
E não digam mal do Cristiano Ronaldo: o rapaz, que grita tão bem «A la Madrid!», até que marca golos… ao guarda-redes da Coreia do Norte e a Homer Simpson.

Adenda: Carlos Queiroz, tal como José Sócrates, vive num mundo à parte, numa realidade alternativa, num seu muito próprio «país das maravilhas». Só isso pode explicar que ele afirme, e, aparentemente, acredite, que «os nossos adeptos têm todos os motivos para se sentirem orgulhosos com a prestação da selecção nacional», e que esta «dignificou e prestigiou» o futebol português na África do Sul. E promete – ou ameaça? – que «vamos continuar a honrar as cores nacionais». Ora, um dos problemas pode ser precisamente esse: é que as actuais cores nacionais (o vermelho e o verde) não são as verdadeiras, as naturais, e por isso não merecem ser honradas.

Segunda Adenda: os outros ficam com os - verdadeiros - troféus; nós ficamos com (ou continuamos a ser) as anedotas.

Octávio dos Santos

Agora que já sabe a resposta: Afinal existe ou não Deus, amigo Saramago?

 2ª EPÍSTOLA DE S. PAULO AOS CORÍNTIOS  

1 Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmäo Timóteo, à igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia.
2 Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação;
4 Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulaçäo, com a consolaçäo com que nós mesmos somos consolados por Deus.
5 Porque, como as afliçöes de Cristo säo abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolaçäo por meio de Cristo.
6 Mas, se somos atribulados, é para vossa consolaçäo e salvaçäo é; ou, se somos consolados, para vossa consolaçäo e, salvaa qualçäo se opera suportando com paciência as mesmas afliçöes que nós também padecemos;
7 E a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das afliçöes, assim o sereis também da consolaçäo.
8 Porque näo queremos, irmäos, que ignoreis a tribulaçäo que nos sobreveio na Asia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos.
9 Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que näo confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos;
10 O qual nos livrou de täo grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda,
11 Ajudando-nos também vós com oraçöes por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito.
12 Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que com simplicidade e sinceridade de Deus, näo com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e de modo particular convosco.
13 Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senäo as que já sabeis ou também reconheceis; e espero que também até ao fim as reconhecereis.
14 Como também já em parte reconhecestes em nós, que somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa no dia do Senhor Jesus.
15 E com esta confiança quis primeiro ir ter convosco, para que tivésseis uma segunda graça;
16 E por vós passar à Macedónia, e da Macedónia ir outra vez ter convosco, e ser guiado por vós à Judeia.
17 E, deliberando isto, usei porventura de leviandade? Ou o que delibero, o delibero segundo a carne, para que haja em mim sim, sim, e näo, näo?
18 Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco näo foi sim e näo.
19 Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que entre vós foi pregado por nós, isto é, por mim, Silvano e Timóteo, näo foi sim e näo; mas nele houve sim.
20 Porque todas quantas promessas há de Deus, säo nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós.
21 Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus,
22 O qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos coraçöes.
23 Invoco, porém, a Deus por testemunha sobre a minha alma, que para vos poupar näo tenho até agora ido a Corinto;
24 Näo que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vosso gozo; porque pela fé estais em pé.

(In)Correcções

Nunca se deve afirmar que já se ouviu dizer tudo o que é possível… e impossível. Porque há sempre pessoas que, por excessiva imaginação, ignorância ou imbecilidade, ou porque, pura e simplesmente, possuem um atrevimento inaudito, podem proferir disparates cada vez piores, como se do outro lado só existissem pessoas surdas, estúpidas ou com a memória muito curta. Demonstre-se com alguns exemplos.
Poder-se-á apreender na sua totalidade a suprema ironia inerente à afirmação de Jorge Nuno Pinto da Costa de que o Benfica estava «lançado» para vencer o campeonato nacional de futebol (e, entretanto, venceu mesmo) porque «foi melhor fora do campo e nos túneis»? Para quem é que ele estava a falar? Para os que nasceram há um ano? Não foi, de certeza, para aqueles que acompanham atentamente, e há décadas, o «desporto-rei» em Portugal, e que – antes das «escutas» as confirmarem – foram acumulando suspeitas de contínuo favorecimento ilícito de um mesmo clube (que, não, não é o da Luz).
Outro Jorge que sobressai pela falta de vergonha é o Sampaio. Rir às gargalhadas é a melhor, a única reacção possível à sua «insatisfação» com a (falta de, ou má) «qualidade da democracia» em Portugal. Ele que é um dos principais (ir)responsáveis por essa «qualidade», ao ter desferido um autêntico golpe de Estado que derrubou um governo legítimo (que, a ser «mau», era muito melhor do que o que se seguiu) e possibilitou a tomada do poder por uma «clique» partidária que muito se tem esforçado em levar este país à ruína – ruína não só económico-financeira mas também social, cultural e até moral. E o «chefe» dessa «clique», indiscutivelmente o mais insultuoso – e incompetente – político depois do 25 de Abril de 1974, permite-se queixar da «agressividade da oposição»!
Nem de Mário Soares já se pode esperar alguma sensatez; apenas anedotas. De facto, quando não está a assegurar que vivemos não na III mas sim na II república (Carmona, Craveiro Lopes e Thomaz, cujos retratos partilham com o dele as paredes do Palácio de Belém, devem ter sido presidentes de Espanha…), está a alertar para os perigos do «aquecimento global» causado pela actividade humana, da qual a erupção do vulcão islandês Eyjafjallajökull é apenas um dos sintomas! Ou seja, o nosso «Gigi» pertence à mesma «influente» «escola de pensamento» que reúne «sábios» tão «eminentes» como: Hojatoleslam Kazem Sedighi, um «pré-ayatollah» iraniano que afirmou que mulheres em trajes «imodestos» provocam terramotos; Hugo Chávez, que afirmou que o terramoto no Haiti foi causado por uma «arma secreta» dos EUA; Evo Morales, que afirmou que o excesso de «hormonas femininas» em frangos pode levar à homossexualidade; e Luís Inácio Lula da Silva, que afirmou que a crise financeira de 2008 foi fomentada por «gente branca de olhos azuis» e não por negros (alguém devia dizer ao Presidente do Brasil que Franklin Raines e Stan O’Neil, ex-presidentes, respectivamente, da Fannie Mae e da Merryl Lynch, são afro-americanos).
As «media-milícias» «esquerdistas» e «progressistas» pouco ou nada comentaram estas (e outras) asneiras dos «camaradas» Mário, Hojatoleslam, Hugo, Evo e Luís. Porém, não se pouparam na veemência com que condenaram o cardeal Tarcisio Bertone quando este ousou relembrar o óbvio: que a pedofilia tanto pode ser hetero como homossexual. É no que dá o disparate extremo que representa o «politicamente correcto»: uma dualidade de critérios em que alguns nunca são responsabilizados.
Em Portugal um desses aparentes… inimputáveis é um ladrão, que, decerto por ser «socialista», não foi detido, nem acusado, nem demitido das funções que ocupa; pelo contrário, foi recompensado com a (confirmação da sua) eleição para o… Conselho Superior de Segurança Interna! Afinal, o que ele fez, uma «acção directa» em resposta a uma «violência psicológica insuportável» (isto é, perguntas de jornalistas), deve ter sido também a sua modesta contribuição para a «apropriação colectiva dos meios de produção». E é de admirar que não tenha sido condecorado hoje.

Octávio dos Santos

Uma voz, humana, entre a dos deuses

A voz de um amigo e de um mentor está, a partir de hoje, entre a dos deuses. João Aguiar morreu esta manhã em Lisboa, e, apesar de eu saber que há quase um ano enfrentava uma doença grave, para mim, bem como para muitas outras pessoas, o desfecho nunca deixaria de ser doloroso e inesperado.
Conheci-o primeiro, indirectamente, pelos seus livros, e depois, pessoalmente, em 1992, aquando da fundação da revista TV Mais, cuja redacção ambos integrámos por pouco tempo – ele havia sido convidado para director, mas saiu ainda antes do lançamento da edição de estreia (eu fiquei mais um ano). Posteriormente, reencontrámo-nos, várias vezes, nas sessões de autógrafos da Feira do Livro de Lisboa, e em 2006 convidei-o a participar no projecto «A República Nunca Existiu!», antologia publicada em 2008 para assinalar o centenário do Regicídio; o seu conto, «Seis momentos em tempo real», logicamente, foi o que abriu a obra. A sua presença numa iniciativa idealizada por mim é algo que muito me honrou e de que me orgulharei sempre.
Não tenho dúvidas de que as suas facetas de monárquico e de estudioso e entusiasta da História de Portugal me influenciaram fortemente, e que também contribuiram decisivamente para que eu próprio viesse a partilhar esses interesses. Porém, João Aguiar era, antes de tudo, um patriota – alguém que amava o seu país, embora este não tenha retribuído na mesma medida… Aliás, talvez não tenha sido por acaso que o seu último livro publicado em vida, «Super Portugueses», é uma colectânea de casos de lusitanos que se distinguiram, em diferentes épocas e em diversas actividades, pela coragem, pela dignidade, pela excelência – qualidades que actualmente tanto parecem rarear nesta nação.
Ele foi – é! - um «homem com nome», um «navegador (nem sempre) solitário», quantas vezes lutando contra «cantos de fantasmas» e «dragões de fumo». Que o «altíssimo», no seu «trono», lhe faça a «encomendação da alma», e para sempre lhe permita estar numa «catedral verde» a meio de um «jardim das delícias».

Octávio dos Santos

Pelos judeus sefarditas

Assinei hoje a petição a favor da «restituição da nacionalidade portuguesa aos judeus sefarditas portugueses». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.

«Dançar o tango»

Ao decidir promulgar – e, logo, não vetar – a lei que autoriza o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo, Aníbal Cavaco Silva mais uma vez confirmou aquilo que é: um medroso calculista. E hipócrita, porque como que esperou que Bento XVI «voltasse as costas» para, apenas três dias depois da visita do Papa a Portugal, «capitular» na «guerra» de valores perante aqueles contra quem o Sumo Pontifície tanto tem avisado. O casamento não é uma questão menor, não é uma «distracção»: é, pelo menos, tão importante quanto a crise económico-financeira; e esta não pode, não deve continuar a servir de justificação, de desculpa para tudo.
Porém, a decisão do presidente tem pelo menos o «mérito» de demonstrar inequivocamente a inferioridade, e mesmo a inutilidade, do «sistema» republicano face ao monárquico. É para não exercer poderes, não utilizar prerrogativas, que se gastam dezenas de milhões de euros num «inquilino» para Belém? Para isso um Rei fica mais barato… Eleito por sufrágio directo e universal (e por maioria logo à primeira volta), Cavaco tem uma legitimidade pelo menos idêntica, se não superior, à da Assembleia da República; órgão de soberania unipessoal, o presidente é por isso eleito não só pelo seu programa de candidatura mas também pela sua personalidade, pelas suas ideias e opiniões, pelas suas características e convicções. Muitos, se não mesmo todos, que votaram no algarvio em 2006 fizeram-no também por ele ser contra o «casamento gay». Agora eles sentem-se, e com razão, desiludidos, e mesmo traídos. Se vetasse, o parlamento reconfirmaria? Que se recusasse a promulgar! Crise institucional? Que dissolvesse o parlamento, demitisse o governo! Não faltariam motivos para o fazer, a começar pelas muitas trafulhices do «menino Zézito».
No entanto, nesta como em outras circunstâncias, a diferença está em «tê-los no sítio» ou não. O Rei Balduíno da Bélgica teve-os, ao abdicar durante um dia em 1990 para não assinar a lei de despenalização do aborto. A sua atitude nenhum efeito concreto teve? Serviu, pelo menos, o que não é pouco, para preservar a sua dignidade, a sua coerência. Pelo contrário, o boliqueimense preocupa-se mais com a sua reeleição… ou não (um Rei não tem esse problema, pelo que pode decidir sempre de acordo com o superior interesse nacional). Prefere manter os «bons moedeiros» que, do estatuto dos Açores às «escutas», raramente perdem um pretexto para o desvalorizar. O comportamento de Cavaco, que vai já em duas promulgações de leis desnecessárias, «fracturantes» e impopulares – o «acordo ortográfico» é outra que está ao mesmo (baixo) nível – poderia permitir, teoricamente, que outros candidatos presidenciais o aproveitassem, o denunciassem, e, desse modo, aumentassem as suas possibilidades eleitorais. Todavia, não é provável que tal aconteça…
Prova de que este país se transformou – definitivamente? – numa piada de mau gosto é que a decisão do Sr. Silva foi anunciada – deliberadamente? – no «dia internacional contra a homofobia»! E no mesmo dia, aliás, em que o Sr. Sousa declarou em Madrid – em «castelhano técnico», ou «portunhol» - ter encontrado no Sr. Coelho, finalmente, um «parceiro para dançar o tango»! Ele que vá ao palácio cor-de-rosa e lá encontrará outro… A ILGA e a Opus Gay têm genuínos motivos para se sentirem orgulhosos. Quanto à grande maioria dos portugueses, apercebem-se de que «dançar o tango» não os livra do «discurso da tanga».

Octávio dos Santos

(Adenda: Nada melhor para aferir o fanatismo quase demencial dos «g-activistas», para além da sua habitual demagogia e desonestidade intelectual, do que ler as verborreias «vitoriosas» de Fernanda Câncio e de Miguel Vale de Almeida. Acredite-se, eles não vão querer ficar por aqui…)

Obamatório chega às 100

O meu blog Obamatório chegou hoje às 100 entradas com a publicação do texto «U. R. S. A.», em que abordo as «simpatias socialistas» de vários apoiantes e conselheiros de Barack Obama.
Nos últimos 50 posts a diversidade dos temas abordados no meu «repositório-observatório-laboratório» sobre a política e a sociedade nos EUA continuou a ser a característica dominante, com destaque para: mais vénias feitas pelo presidente (aqui, aqui e aqui); o Partido Democrata como bastião dos racistas e dos ricos; figuras patéticas como Harry Reid, Keith Olbermann, Alan Grayson e Nancy Pelosi; mais trapalhadas na segurança e na defesa, com reacções frouxas a um recrudescimento do extremismo islamita; aumento da agressividade e da demagogia em Washington; hipocrisias e cobardias de Hollywood; a falência de uma falácia chamada «aquecimento global» (aqui e aqui). E muito mais…
O «Ob» promete continuar a ser o que tem sido: um espaço privilegiado, e talvez único, em português onde com regularidade se dão a conhecer as informações e as opiniões sobre o que verdadeiramente acontece nos EUA… e que os media portugueses insistem em ignorar.

Longe do «confessionário»

Se o «menino Zézito», isto é, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, ainda tivesse alguma vergonha, não teria ido receber e cumprimentar o Papa Bento XVI aquando da chegada deste a Portugal. Porém, e como, precisamente, não tem, foi.
Aquele que, incrivelmente, contra todas as mais elementares regras da decência política (e, quiçá, também pessoal), ainda é primeiro ministro deste país, poderia talvez aproveitar a oportunidade para «confessar» tudo o que ele, o seu partido e o seu (des)governo têm feito para, directa ou indirectamente, deliberadamente ou não, afrontar, ofender, a Igreja Católica, e disso mostrar algum «arrependimento», por isso aceitar alguma «penitência». Concretamente, e nomeadamente, por: instituir uma comissão nacional para as comemorações do centenário de um regime que se «distinguiu», entre outras malfeitorias, pela perseguição, humilhação, prisão e até assassinato de clérigos; propor e fazer aprovar uma lei que proíbe a exibição de símbolos religiosos nas escolas públicas; propor e fazer aprovar uma lei que autoriza os «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo – fazendo de Portugal, «nação fidelíssima» da Santa Sé, um das poucas do Mundo a exibir tal «modernidade»; propor e fazer aprovar um decreto-lei que concede um «subsídio social de maternidade» às mulheres que o requeiram após procederem a interrupções voluntárias da gravidez – que, em 2009, foram quase 20 mil!
Talvez o Santo Padre o possa «absolver» destes e de outros pecados. No entanto, e porque se deve dar «a César o que é de César e a Deus o que é de Deus», a maioria dos cidadãos eleitores deste país já o «excomungou» nas últimas eleições legislativas. O que não foi suficiente para nos libertar de uma «cruz» que ainda temos de «carregar». Até quando?

Octávio dos Santos

O «nosso» homem em Paris

Francisco Seixas da Costa é actualmente o embaixador de Portugal em França. E tem um blog, denominado «Duas ou três coisas», onde vai escrevendo as suas «notas pouco diárias». Uma delas, colocada a 27 de Março último e intitulada «Reizinho(s)», fala dos «sonhos dos bobos da inexistente corte que por aí hasteiam, sob a coragem da noite, a sua patética nostalgia.» Refere-se, obviamente, às recentes iniciativas, por parte de alguns monárquicos, de hastear bandeiras azuis e brancas, e muito em especial às que foram erguidas no Parque Eduardo VII e na Câmara Municipal de Lisboa.
Como seria de esperar, esta «posta» deu origem a muitas respostas, favoráveis e desfavoráveis, tanto de monárquicos como de supostos republicanos. Eu só intervim quando, em dois dos seus próprios comentários, o sr. embaixador reivindicou o seu «inalienável direito à higiene» para não publicar comentários que «utilizam uma linguagem que pouco fica a dever à educação», e isto porque o seu blog é um «espaço livre de discussão, educada e civilizada».
No meu primeiro comentário escrevi o seguinte: «É irónico que o senhor embaixador apele à “discussão educada e civilizada” quando é o próprio o primeiro a comportar-se de forma contrária, com as suas alusões a “bobos” que “hasteiam” a sua “patética nostalgia”. Pois, eu “patético nostálgico” me confesso: nostálgico de um regime, de uma sociedade, e de um tempo, que tanto progresso material e cultural trouxeram a Portugal, em que a pena de morte foi abolida, se deu a expansão do caminho-de-ferro, as expedições no interior de África, a liberdade de expressão e de imprensa era um facto, a geração de 70 floresceu, e em que dois dos seus mais ilustres representantes, Oliveira Martins e Eça de Queiroz, foram respectivamente ministro e diplomata… enfim, vigorava uma verdadeira democracia segundo os padrões da época, e que um bando de criminosos, terroristas, bombistas, assassinos, censores, fanáticos, derrubou em 1910 para instaurar uma ditadura que só viria a ser deposta em 1974. E sugiro que se olhe, não ao espelho, mas ao ecrã do seu computador, quando decidir chamar a outros de patéticos. Porque a sua “conversão” à “novilíngua” totalitarizante resultante do “acordo ortográfico”, e a utilização de aberrações ortográficas como “atual”, “respetivos”, “coletivo”, “efetivo”, “fator”, “noturnos”, é, no mínimo… hilariante. Não lhe dá muita… credibilidade. E, sabe, nós monárquicos efectivamente privilegiamos o debate de ideias; “golpes de mão” (armada, de pistola e carabina, a 1 de Fevereiro de 1908, e não só) é que são típicos dos republicanos; e o hastear calado da mais bela bandeira portuguesa vale mais, muito mais – “fala” muito mais – do que as histerias palavrosas que costumam acompanhar o desfraldar do “ignóbil trapo” (para Fernando Pessoa) vermelho e verde

«O seu nome como muito bem me apraz»
Devo sem dúvida ter cumprido as regras de «higiene» e respeitado os critérios de «educação e civilidade» porque não só o meu comentário foi publicado como o sr. embaixador escreveu a seguir que teve «o maior gosto» em o fazer.
Porém, referiu-se a mim como «Otávio dos Santos». Pelo que por minha vez respondi que o meu primeiro nome se escreve com um «C». Mais à frente fiz mais um comentário a… um comentário dele, em que alegava que no seu texto original se limitava a condenar e a ridicularizar «os tristes métodos utilizados por alguns para desrespeitarem os símbolos republicanos.» Escrevi: «”Tristes métodos”? Porquê? Foram danificados bens públicos? Foram agredidas pessoas? E o senhor embaixador tem toda a razão em falar de “símbolos republicanos”… porque a bandeira vermelha e verde não é - nunca foi - verdadeiramente a de Portugal. É a bandeira da Carbonária, a bandeira dos que assassinaram D. Carlos e D. Luís Filipe, que mataram e feriram muitas mais pessoas, que destruíram bens públicos; esses, sim, é que utilizavam “(muito) tristes métodos”. E uma bandeira de assassinos não merece ser respeitada. Quanto ao outro “símbolo republicano”, a marcha-que-se-tornou-hino “A Portuguesa”, foi roubada pelos republicanos a Alfredo Keil… que era monárquico.»
Respondeu-me o sr. embaixador afirmando o seu «prazer» em publicar o meu comentário. E voltou a tratar-me de «Otávio dos Santos», acrescentando desta vez: «E, usando toda a liberdade que a República me concede, permito-me escrever o seu nome como muito bem me apraz.»
Sim, é mesmo isto que lá está.
A minha reacção? «Ou o senhor embaixador está a tentar fazer humor – sem sucesso – ou está a ofender-me deliberadamente, pessoalmente. O que, creio, até agora não o fiz em relação a si. Não há “acordo ortográfico”, ou “liberdade” seja ela qual for, republicana ou outra, que lhe dê o direito de alterar o meu nome ou o de qualquer outra pessoa. Eu nunca prescindirei do meu “C” - de “Carácter”. Como é que se sentiria se passasse a ser designado, por exemplo, como “Franciscu Seichas da Kosta”? Indignado, não é verdade? Se quer que os outros – incluindo os monárquicos – o respeitem, apesar de ser republicano, então mostre também algum respeito para com eles.» O Sr. Costa procurou então contemporizar: tratando-me por «Sr. Santos» e «prezado correspondente», aludiu a «dois registos» que «conflituam», na existência entre nós dois de «uma manifesta incompatibilidade na forma de olhar o mundo, na ironia com que se apreciam as coisas, no humor com que a vida se leva. É um jogo desigual, com regras que não são comuns, um mundo sem rei nem roque. Capitulo. Este post traz-nos, contudo, uma lição: são os temas menos sérios que congregam mais comentários.»

«”Fait-divers”, produto de uma atitude de desespero»
Por outras palavras, a identidade nacional e os seus símbolos, a liberdade de expressão e o respeito para com o próximo (incluindo, literalmente, o direito ao seu bom nome) são «temas menos sérios» para um representante máximo de Portugal no estrangeiro.
Decidi então introduzir outro «tema menos sério»: «Em Valença foram hasteadas dezenas de bandeiras de Espanha - incluindo na fortaleza (!) - em protesto contra o encerramento do serviço de urgência do centro de saúde daquela cidade. Seria interessante saber, sobre este assunto, a opinião do senhor embaixador, bem como de todos aqueles que se sentiram indignados com o hastear da bandeira azul e branca - que, nunca é de mais recordar, é portuguesa. E, já agora, será curioso observar quanto tempo vai passar até que os panos amarelos e vermelhos sejam retirados pelas autoridades policiais, terminando assim mais um “ultraje à república”. Ou não: afinal, esta talvez seja mais uma forma de corresponder ao apelo “Espanha, Espanha, Espanha” do actual primeiro-ministro.» E o sr. embaixador deu a sua opinião: «As bandeiras espanholas em Valença são um “fait-divers”, produto de uma atitude de desespero, num a(c)to feito à luz do dia.» No entanto, e como «ramo de oliveira», concedeu-me que «foi uma pena a bandeira realista não ter sido ado(p)tada em 1910, expurgada naturalmente da derrubada coroa. Esteticamente, a imagem do país teria ficado mais bem servida. Agora, porém, já é tarde e a bandeira verde-rubra é a nossa bandeira nacional. A outra, fica para os livros de História, onde está muito bem arquivada.»
Permiti-me então fazer um resumo do «brilhante» raciocínio do «ilustre» diplomata: «Em Lisboa (e não só) o hastear da bandeira azul e branca (portuguesa, da Monarquia) representa um “triste método” de uns “bobos” expressarem a sua “patética nostalgia” e “desrespeitarem os símbolos republicanos”. Em Valença, o hastear da bandeira amarela e vermelha (espanhola, da Monarquia) é “um ‘fait-divers’ produto de uma atitude de desespero”. Além disso, o que aconteceu naquela localidade minhota é mais aceitável, ou compreensível, porque é “um aCto feito à luz do dia” e não à noite. Mas ainda bem que concorda que “a imagem do país teria ficado mais bem servida” com a bandeira azul e branca. Porém, ao contrário do que afirma, não é – nunca será – tarde para a recuperar. Eu diria que o Sr. Costa não aprendeu as lições da História recente. Há pouco mais de 20 anos também se pensava que o Muro de Berlim não cairia, que a União Soviética duraria para sempre… e veja-se o que aconteceu: a Rússia voltou a adoPtar a bandeira tricolor do tempo dos Czares. E qual é a bandeira que está hoje “muito bem arquivada” nos livros de História? Exactamente: a vermelha com a foice e o martelo. Moral da História: ninguém deve dizer que ela está encerrada…»
Todavia, este comentário não foi publicado: o sr. embaixador decidiu entretanto avisar que «este assunto encerrou». Comportamento próprio de quem já não tem argumentos e que sabe que perdeu a discussão.

Octávio dos Santos

Não gosto da D. Pilar e muito menos de a ver tomar assento…

 … na Casa dos Bicos e na Fundação Saramago.

Há um tempo atrás escrevi isto sobre a D. Pilar…Nunca foi publicado (não admira!)

A Presidenta
“Só os ignorantes me chamam presidente.” É com estas simpáticas palavras que a mulher do Nobel português começa a entrevista com que o DN resolveu gastar 3 páginas ontem. Não vou discutir aqui o termo “presidenta”, que o excelente site Ciberdúvidas já reconhece, e que a mim me continua a soar mal. O que acho é que não se é melhor presidente por se querer ser presidenta. Tanta ferocidade na defesa do termo parece-me excessiva – é ligar demasiada importância à informação difamanta contra as mulheres - e isso sim, coisa de ignoranta, com alguns laivos de pedanta. Isso mesmo devia saber Pilar del Rio, que é mulher dum Nobel da literatura e antes disso era jornalista. Jornalista, claro, por ser mulher. Se fosse homem, como toda a gente sabe, seria jornalisto.

Vanda Meneses Santos

Alexandre Herculano, um Grande de Portugal

Passaram ontem 200 anos sobre o nascimento de Alexandre Herculano. E não foram organizadas quaisquer iniciativas de celebração da efeméride com âmbito nacional e oficial.
Surpreendente? Nem por isso. Em ano de centenário da implantação da república (o mesmo é dizer, da ditadura), dificilmente sobraria ao Estado dinheiro e ideias para recordar e homenagear um homem que foi, «apenas», um dos nossos melhores artistas, um dos nossos maiores historiadores, combatente – em palavras e em armas – pela liberdade e pelo progresso, corporização do civismo e da ética… da verdadeira, ou seja, não republicana.
E é aqui precisamente que pode estar a causa do desinteresse por este bicentenário por parte do «regime so-cretino»: tal como Almeida Garrett, Alexandre Herculano não pode ser considerado um precursor do republicanismo em Portugal, muito pelo contrário – o autor de «Eurico, o Presbítero» era um assumido defensor da Monarquia Constitucional. Pelo que é interessante lembrar como foi assinalado o centenário, em 1910 – sim, ainda D. Manuel II era Rei, e pouco mais de seis meses faltavam para a fatídica, funesta data…

Octávio dos Santos

«O músico de “Deus” e do “Diabo”»

Na edição de Março (Nº 213) da revista Tempo Livre, e nas páginas 44-46, está o meu artigo «O músico de “Deus” e do “Diabo”», sobre a vida e a obra do compositor português António Teixeira.

«Palavras de honra»

Quem não leu o meu artigo «Palavras de honra» na edição em papel do Público do passado domingo pode lê-la agora «em linha» aqui. Sim, é mais um texto sobre - e contra - o «Acordo Ortográfico».

Projecto canção-hino do Barrasco “És toda boa…!!!”

És toda boa!

Pões-me todo à toa!

Pareces uma leoa!

Doce como uma meloa! 

Se fosses melhor o que seria do céu?

Se fosses melhor eu ficaria béu! béu!  Pois és…és…és!!! (tudo em eco como as melhores bandas dos anos 80) 

(pelo meio umas guitarradas, meio heavy, meio sem nexo, uma vez mais o refrão , que é aliás o conteúdo da letra quase toda)

 És toda boa! Pões-me todo à toa!

Pareces uma leoa!

Doce como uma meloa!