Blogonovela

A PRIMEIRA GRANDE BLOGONOVELA DOS TAIS “ESQUINAS”.  

1.º- Episódio 

É com colossal aprazimento que vos exibo estes textos que já se julgavam (quem sabe graças a deus) perdidos, embora a lembrança popular até tenha mantido alguns deles bem vivos. De facto muitas destas histórias esquecidas ainda são usadas em algumas comunidades nómadas na Mongólia como “motivação extra adicional” para os meninos que não se portam bem ou não comem a sopa. Graças a uma venturosa e exaustiva investigação, efectuada na Inter-rede Mongol, descobri que os Mongóis não conhecem o papão, por isso optaram pelo uso reiterado destas histórias uma vez que o “polícia” (quem sabe graças a deus – 2) também já não funciona como correctivo de crianças chatas e insolentes.

Criancices à parte, gostaria de partilhar com vocês, antes de mais, como descobri estes textos, como os traduzi, para que vos próprios possam ter uma pequena ideia da dimensão, pela sua importância, que foi a descoberta dos textos que compõem esta sublime obra que, agora, resolvi dividir em pequenos episódios, para que vós, eternos leitores-aleitantes, possam desfrutar de cada acontecimento com a intensidade de quem está a descobrir um testemunho (quem sabe graças a deus – 3) único, singular e, acreditem, historicamente bastante extravagante.

A descoberta dos textos: Acordei de manhã, vesti umas calças caqui, e uma camisa de ganga, até que constatei, que naquele exacto dia não me sentia propriamente um David Attenborough, após ficar completamente enojado com uma barata que atravessava a minha casa. Não era dia para ir procurar espécimes repugnantes que vivem na outra banda, infelizmente longe da extinção. Na verdade o meu parco orçamento só me permite efectuar expedições tão longe como à Cova da Piedade. Pensei então, hoje não vou vestir os collants de Super-homem, uma vez que me realçam as formas cada vez mais redondas. Ao olhar para o guarda fato vi a minha fantasia de Indiana Jones, com chapéu e chicote, e parti à maior aventura de todos os tempos. Mas quando um tipo não tem dinheiro para viajar e quer descobrir alguma coisa exótica em Corroios onde vai?

Uma vez que está na margem sul, tenta descobrir pessoas, escolas, hospitais e lojas.Na verdade, logo após dois minutos e falo do minuto que constitui a sexagésima parte da hora e não do minuto-luz, descobri pessoas, e não levei muito mais tempo a descobrir escolas e lojas, o pior foi encontrar um hospital, levei um mês, mas encontrei.Após descobrir algo quase que exótico na margem sul – hospitais – fiquei sem missão. Assim para descobrir algo, mesmo, mesmo, exótico teria que ir à LOJA DOS CHINESES.Após deslocar-me entre dois imensos quarteirões de prédios cheios de pessoas, lá estava a Loja do Chang, entrei e perguntei ao amarelo: 

- Tu teles algo lalo ou exótico?

Resposta do tipo com aquele sotaque que todos sabem:

- Olha-me o esperto armado em parvo! Queres coisas exóticas e raras, mas de que género?

Olhei para ele a rir-me e fiz-lhe gestos para o ajudar a entender o que pretendi dizendo-lhe:

- Eu quelele um livlo lalo, com textos chineses antigos e inéditos.

O chinês envergando uma expressão confusa responde-me:

- Ai queres um livro raro!!! Então vai à aquela prateleira onde tem aquele molho de livros e tira um.

Na verdade não entendi quase nada do que ele me dizia, mas seguindo a direcção indicadora da sua mão, lá descobri um molho de livros, e retirei um. Para meu espanto estava impresso com caracteres chineses. De imediato fui junto à caixa registadora onde estava o amarelinho. Que me disse:

- Olha lá pá!!! Para além de conseguires ver qual a cor da lombada se não fores daltónico, nada entendes desse livro. Mas por um pouco mais de euros arranjo-te a versão traduzida para português.

Bem que ele falava….falava, mas eu nada entendia, mas no seu parco português entendi que ele tinha para me vender aquela mesma obra mas traduzida por um missionário português que tinha estado na China faz muito tempo, que se chamava Translated By Google. Ainda bem que domino o latim! O dia estava perfeito só faltava conseguir um bom preço pela aquela obra única e impar, ao que lhe perguntei:

- Olhe faz-me um desconto?

Resposta do Chinês simpático:

- Desconto??? Eu não falale Poltuguês!!!

Bem, lá paguei os 120 Euros, que muito me penalizaram desembolsar, mas essa soma é insignificante face à real monta de bem-fazer que esta obra trás para a humanidade. 

Quinta do Rouxinol, Miratejo, Almada 30 de Maio de 2007 

Esta obra é dedicada àqueles que sabem que não é dedicada aos outros.

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