Blogonovela - 3

Venerandos e Venerandas Bloglonoveleiros

Uma vez mais retribuo os vossos rasgados (alguns que tiveram a infelicidade de passar esta coisa a papel o fizeram certamente ao textos – vou fazer um desenho – textos rasgados) encómios (???) (vão ao dicionário que eu também fui).Ontem durante todo o dia ligaram-me para o telemóvel, o que até é normal, o que não é normal é terem sido todos os meus colegas de liceu, mais o Produtor e Realizador do filme “Nove Semanas e Meia”, com a seguinte conversa:

“Alex, estavas no metro quando aconteceu aquilo, do gás de pimenta e tal.”

Ao que eu respondia: “Por acaso estava, e até estava a comer uma chamuça, que até deixei cair no chão quando aquilo aconteceu.”

Resposta de todos os tipos: “Olha lá, Alex, então a presença da pimenta já tem explicaçãom, mas, e o gás?”

Seguidamente todos se riam de tal modo que fui forçado, em todos os casos, a desligar-lhes o telefone.Toda esta conversa enoja-me, acreditem, pois um tipo não pode ser perseguido pelo passado durante toda a vida. 

Vós blogueiros, pessoas inteligentes perguntais? Pá!!!! - o que é que tem haver a tua pessoa haver com o sucedido?E o que tens tu haver com o filme “nove semanas e meia”?

E como pessoas sensatas afirmais:De certeza que não eras tu o sedutor do “movie”, pois não tens capacidade nem sequer para ser um galão quanto mais galã!!!!!! 

Vou-vos (vou-vos parece volvo – esta interlocução promete!!!) contar parte da história da minha vida, para que entendam porque me ligaram eles.

Quando era um jovem estudante não era no liceu propriamente um tipo famoso, pelo que as miúdas não reparavam muito em mim, até que um dia tive a oportunidade de altera tudo isso. Lá na escola, no recreio, havia um tipo, o Miguel, que era respeitado por todos os colegas e venerado pelas moças, pois era, por mérito, considerado o maior “punzeiro” da escola e atéde Lisboa, pois mesmo nos torneios inter-escolas era imbatível. Era capaz de dar traquear continuamente durante cerca de 10 minutos e com tanto requinte que chegava a pronunciar o nome de alguns professores desse modo. Tal era a sua liderança, nessa matéria, que ninguém havia ousado, alguma vez que fosse, o desafiar para um mano-a-mano.

Pensei eu então: este gajo não é melhor que eu em matemática, história, filosofia, ou mesmo geografia, porque é que há-de ser melhor que eu nesta matéria? Fui ter com a minha Avozinha e disse-lhe:

 -“Avó é tão linda e cozinha tão bem, não me faz uma panela de feijoada para eu me saciar?”

Resposta da minha avozinha: “ Uma panela de feijoda? Xaninho (era assim que ela me tratava….grrrrrrrrrr) tu não andas a fazer das boas, mas como posso eu resistir ao meu netinho mais lindo!!!! (a propósito a Sra. tinha cataratas, aliás era praticamente ceguinha).

E assim sim foi, comi a feijoada almoço, ao jantar e pasme-se, no pequeno-almoço do dia seguinte. Transbordava de confiança (e de feijoada) quando cheguei à escola. Desafiei o Miguel no recreio, e tal foi a minha performance que ele nunca mais foi o mesmo, aliás no ano seguinte pediu a transferência de escola. Acho que para uma no Minho.Aliás ainda hoje o Conselho Directivo do meu liceu tem esse dia bem presente nas manobras de prevenção de situações de emergência em caso de desastres naturais.Na escola fiquei então conhecido como o “Gasoso” e o ídolo de todos os colegas.

A minha fama era tal nesses tempos que fui chamado para fazer o papel de miúdo que traqueava a música do filme o Tubarão no filme “Nove Semanas e Meia”.Os tempos mudam, os valores também, hoje era incapaz de efectuar semelhante façanha. Aliás desde o sucedido com o “gás sarim” no metropolitano no Japão que não me confrontava com o meu passado, até ao dia ontem. 

P.S. – Já fui prestar depoimento à Judiciária e mesmo na posse de um seguro álibi, eles, por via das duvidas, obrigaram-me a prestar TIR (Termo de Identidade e Residência). Perdoem-me desabafar sobre esta matéria, não volta acontecer.  

Episódio – 3.º - O desmaio de Ko-Ngai

Yong-lo era respeitado em toda a China pois era considerado como o maior sábio da arte de fazer guerra, o que incluía um profundíssimo conhecimento de estratégia militar e do uso correcto de todas as artes marciais. Yong-lo era por isso invejado dentro do ciclo de conselheiros do poderoso Imperador Chan-Mi, o celestial e augusto, como gostava de se auto-intitular, pois considerava-se expoente máximo da dinastia Ming. Um dia, um dos invejosos Conselheiros (não falo dos Srs. Drs. Juízes do STJ), após ter visto como era reverenciado Yong-lo pelo Imperador, que o cobria de todas as riquezas e honras que um homem pode desejar, disse ao Imperador o seguinte:

- “Soberano e Ilustre Imperador Chan-Mi já sois mais rico e poderoso que algum homem pode ser, mas deixarias ainda maior impressão às gerações vindouras se deixásseis um túmulo maior do que o palácio da cidade proibida.” Agradado com o comentário respondeu o Imperador:“É verdade, devia deixar um túmulo assim, para que em toda a eternidade o meu nome fosse respeitado após a minha morte como o é na minha vida. Mas atento conselheiro, sabeis que não posso gastar todo o dinheiro na construção desse monumento, pois os recursos que gastamos com o nosso exército para afastar os nossos inimigos são enormes”.

Ao que retorquiu o conselheiro invejoso: “ Amo bom, como te preocupas com os teus servos!! Só mostra a sua enorme grandiosidade e generosidade. Mas tenho uma ideia. Para que não tenha que gastar os recursos que tão sabiamente sabeis utilizar na defesa da Grande China, e para que se faça a construção de uma obra que vos faça jus, bastaria que possuísses uma arma tão potente que os inimigos sabendo da sua eficácia e potencial mortalidade jamais se atreveriam a desafiar V. Alteza. Essa arma não deveria ser feita de matéria, mas antes por meros sons ou palavras que destruíssem o inimigo de imediato ou que o paralisasse. Como não é feita de matéria, aforarás uma fortuna, pois uma arma assim não precisa de ferro ou de madeira para ser construída, acrescerá ainda que os Vossos inimigos, face a tal poder, não tentarão encontrar na grande China o seu cemitério final, assim só precisarás de metade do exército para defender a fronteira. Com toda esta poupança, poder-se-á erguer um túmulo pela sua grandeza e pujança digno de vossa pessoa.” 

Ao que respondeu o Imperador: “Sábio conselheiro, embora hora te empossei, esse teu projecto é de facto muito interessante, mas quem poderia eu responsabilizar para concretizar tal tarefa?”. Sorrindo matreiramente respondeu-lhe o invejoso conselheiro:“ Imperador do mundo civilizado, onde todos os seres são teus servos, só vejo alguém com as características necessárias para desempenhar semelhante missão, esse teu servo é Yong-Lo, o nosso maior sábio da arte da guerra.” “ Excelente ideia” - disse o Imperador Chan-Mi – “Trá-lo de imediato à minha presença, vou encarregá-lo já dessa missão.”

Passadas não mais que duas horas já estava Yong-lo na presença de seu Imperador que lhe explicou as características da arma vocal que queria e por final disse-lhe: “ Yong-lo, sei que és um sábio, o maior na arte da guerra, se conseguires realizar a tarefa que a ti desde já te incubo oferecer-te-ei mais riquezas que poderás imaginar e terás a honra de após a tua morte teres o teu nome gravado no meu tumulo, se não conseguires, a tua cabeça estará onde estão os teus pés agora, pois intitulas-te falsamente Yong-Lo o sábio. Como tenho o maior apreço por ti, e em nome dos excelentes serviços que já haveis realizado dou-te um ano para os concretizares.Yong-lo prosternou-se e respondeu: - “Seja de acordo com sua vontade senhor!”

Logo de imediato Yong-lo foi para casa para preparar as suas coisas de modo a abalar por esse mundo fora afim de encontrar algo que satisfizesse o pedido de seu Imperador. Enquanto preparava as coisas sua filha Ko-Ngai ao vê-lo com uma cara tão desesperada perguntou-lhe: “Paizinho que tens?” Depois de ouvir a explicação de seu pai este disse-lhe a final: “A missão com que me incumbiu é de tal maneira impossível, que teria sido melhor desde logo ter-me executado.” Ao ouvir a terrível ameaça que pendia sobre seu pai, Ko-Ngai desfaleceu de imediato. Quando recuperou os sentidos e as forças, foi de imediato consultar um astrólogo amigo, para que a pudesse ajudar a descobrir onde poderir residir semelhante segredo. Após consultar as cartas astrais este disse-lhe numa linguagem codificada (como eles sempre fazem): “Não é nos mapas da grande China que reside tal segredo! Para que ele seja encontrado será necessário que um homem valente como um dragão e astuto como um corvo o procure na boca de uma criança.”

Logo se seguida Ko-Ngai foi contar a seu Pai o que lhe havia dito o astrólogo. Após um longo silêncio respondeu-lhe Yong-Lo:

- “Não entendo o que quis dizer o astrólogo, mas tal como eu pensava esse segredo não se encontra na China, pelo que vou arranjar uma escolta com os melhores homens, levarei um baú cheio de riquezas para comprar tal segredo, para o efeito vou seguir o curso das caravanas que realizam a rota da seda e irei até à Pérsia, terra de mil magias e sabedorias desconhecidas.”

Após dar um beijo na sua filha, Yong-Lo pôs-se de imediato a caminho.Durante a sua jornada, nem os Mongóis ou piratas conseguiram travar a espada de Yong-Lo, que rapidamente e com grande eficácia desbravava o caminho na direcção da Pérsia. As montadas dele e dos seus soldados pareciam encantadas, pois não precisavam de beber ou descansar. De noite estes magníficos cavalos seguiam o caminho mesmo na enorme escuridão, sem que fosse necessária a intervenção dos viajantes e faziam-no com a maior suavidade para que os seus donos conseguissem dormir. De dia, seguiam com a maior velocidade, num galopar que impressionava os outros transeuntes, tal era a verocidade com que o faziam. Por isso em pouco tempo atravessaram a Índia e chegaram à terra das arábias, Bagdad.

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