Propaganda de Natal

Para aqueles que se estripam no Natal e outros saudosistas vítimas do “marquetingue” nacional.

http://www.youtube.com/watch?v=bHLgx7LSXmc

Para ouvir pelo menos 10 vezes….

O BARRASCO – Escrita com bolinha quando necessário - Ou seja sempre!

 Antes de consumar com a minha delicada prosa o apego neste espaço de tertúlia de alguns dos meus mais inflamados pensamentos sobre o que quer que seja, e também de alguns confessadamente inapropriados e que só demonstram a minha péssima índole pessoal (mas que se lixe, desde que isso sirva para realizar a minha catarse pessoal) ainda assim como gajo educado que sou, devo aos restantes companheiros deste espaço literário, a minha apresentação pessoal. Até porque os fulanos que por aqui escrevem não aparentam mas são pessoas importantes. Aliás graças a alguns deles já se aniquilaram umas quantas árvores e outros ainda até têm os seus translúcidos tributos fiscais em dia, o que face ao que se vê por aí, é uma coisa do arco-da-velha. Mas acreditem ou não, fui convidado não por ser o “chefe” de um dos insignes que por aqui escreve, mas antes pelo meu talento com as coisas das letras, disse-me o lustrador que comigo labora, mas na verdade com ou sem vocação para escrever, lá aceitei a chamada e cá estou eu a prosar para todos vós. 

Abraço apertado a todos. 

BOM DIA NATAL 

Como entoou o Reininho, efectivamente quando um gajo está bem, que é como quem diz, numa esplanada junto ao mar num amanhecer de domingo sem fazer puto, munido da superior arma que o comum dos mortais pode ter, não me refiro a uma 6,35 mm, semi-automática, mas antes com uma Mont Blanc, High Edition, ofertada pelo Sr. Orlando e de um Moleskine ainda com folhas por rabiscar, até acha piada às pulgas dos cães e ao riso das crianças dos outros. Que maravilha, enquanto dedilho harmoniosamente com a minha confortável caneta algumas letras no bloco de notas, o sol vai mimando-me com algum do seu calor, como que prepara-me para tempos mais frios que imperativamente mas de forma ordeira espreitam a norte, a oportunidade de nos gelarem. No entanto embora a soalheira do astro-rei me acalore o corpo e alma, ainda assim o meu físico está em tremor, pois sofre ansiosamente pela urgente reposição matinal de nicotina juntamente com o agradável aroma que emana a primeira cafeína do dia. Enquanto aguardo a chegada do Salvador, o empregado de mesa com o seu imponente uniforme, a meu ver de super herói, que todos os domingos teima em satisfazer a minha veemente necessidade matinal de me demarcar da minha noite de ilusão, como Reininho, escuto a conversa dos outros e ainda vejo cágados de perna para o ar.E quando já encolerizava o facto de ainda não me ter sido ministrado o meu dulcificado cafezinho, eis que chega Salvador.

- Bom dia Salvador, queria um café por favor! – Requeri eu com o mais encantador sorriso que ao meu semblante é permitido.

- Bom dia não, boa tarde! – Disse-me ele como se estivesse a censurar um qualquer aparte profundo e ordinário da minha parte, como se o facto de eu lhe ter desejado um bom dia ao meio dia e cinco minutos, consistisse numa enorme e profunda lesão da sua honorabilidade pessoal.Se existe coisa que odeio é precisamente esse reparo, tal facto para além de me irritar estragou-me o momento semanal que mais anseio e a prosa que havia decidido lavrar. Mas não era o momento ideal para exercer o contraditório, afinal formalmente ele tinha razão, já passava do meio-dia, e embora pudesse fazer um qualquer reparo ao Salvador pelo facto de achar que havia sido terrivelmente desagradável, eu não podia arriscar, queria mesmo beber o café!Pelo que aguardei a ocasião de o fazer para mais tarde…

Após tomar o meu café que, como se fosse um fadista, foi à guitarra magnificamente acompanhado por um cigarro, perguntei ao Salvador:

- Por favor quanto lhe devo?

- Setenta e cinco cêntimos Sr. Dr. – Respondeu-me ele ainda com aquele superior sorrir sobrevindo do facto de ter remendado o meu bom dia cinco minutos desajustado.Argutamente, sorrindo aparentemente com sinceridade coloquei uma nota de cinco euros sobre a bandeja, e disse-lhe:

- Salvador o troco é todo para si!

Esperando então a sua normal reacção face à actual quadra natalícia que atravessamos…

- Ó Sr. Dr., um santo e feliz  natal, para si e para os seus.

Rindo-me com bastante desdém e realizando finalmente através dele como que a minha purgação face a já outros tantos emendadores de bons dias que me arruinaram o dia, respondi-lhe com ar já quase aliviado… 

- Salvador, já estamos no dia 25 de Dezembro? – Não? – Então vá para o caralho!

UMA NADA ÉPICA HISTÓRIA DE NATAL, ANTES QUASE QUE ADAPTADA

  Intróito: Era uma vez, um menino que passava a vida a mentir, não caros leitores não falo de mim, pois seria uma história bem mais longa, mas antes do célebre menino que estava sempre a pregar petas, sobre ataques de lobos, lá na aldeia onde vivia, por isso, obviamente, já ninguém lhe abonava qualquer verdade que fosse. Atenção, para que esta história seja verosímil e não uma mão cheia de patranhas, faço desde já assinalar que a aldeia é situada no norte da Europa ainda antes do aquecimento global e da saturante humanização. Por isso em redor da aldeia existiam campos de cultivo, florestas e claro que nesta história tinham que existir também lobos. Abandonando o intróito e entrando na história, diga-se em abono da verdade que o menino mentiroso era constantemente irritante, passando o dia a gritar: “ Fujam, corram, vêm aí os lobos!”, pelo que se bem que conseguiu assustar os seus conterrâneos aldeões durante os primeiros tempos, com o correr dos tempos e habituação, os seus gritos e mentirolas já ninguém assustava. Antes de acabar com esta já longa introdução, atente-se que tal como refere o título, esta é uma história de Natal, pelo que acção desenvolve-se no dia 24 de Dezembro de um qualquer ano envelhecido.           

Acto I – O ataque dos lobos: Era uma vez, pela segunda vez, um menino que andava a brincar nos arrabaldes da aldeia, até que viu que estava a ser cercado por uma alcateia de lobos, pelo que em pujança máxima vocal gritou: “ Socorro, os lobos estão atacar-me!”. Mas habituados que estavam os aldeões das diabruras da criatura, fizeram-lhe todos ouvidos moucos, não prestando qualquer atenção ao aviso de alerta, pelo contrário, alguns dos seus concidadãos, fartos de tanta partida fadita daquele menino desajustado, até verbalizaram que se os lobos o comessem, seria um óptimo natal para todos. 

Acto II – A estrela decadente: Os lobos cercavam o menino, o odor a sangue em decomposição proveniente dos focinhos das criaturas caninas já era sentido pela pobre criança, o alfa da alcateia, destacando-se dos outros, já dava a ordem de ataque aos restantes, mas eis que, do céu surge um enorme clarão, que prende totalmente a atenção de toda a alcateia que segue atenta a trajectória da estrela decadente (decadente porque pouco original numa história de Natal). Mas continuando, agora sem grandes reparos adicionais, os lobos seguiam atentamente como que hipnotizados o corpo celeste decadente, abstraindo-se do menino, que estavam prontos atacar. Claro que estão a pensar, o menino vai aproveita-ser da distracção dos lobos para se escapar. Mas esta não é uma história qualquer, claro que também ele ficou a olhar para aquele fenómeno caduco, pois coisas daquelas não se vêm todos os dias. Pelo que todos miraram bem atentos o tal astro decrépito, até ele cair bem no centro da aldeia. 

Acto III – O momento científico: O estudo da composição química dos cometas é especialmente importante porque se acredita que estes transportam espécies bem preservadas do material a partir do qual o Sistema Solar se formou, há 4600 milhões de anos. Em particular, o conhecimento das abundâncias relativas dos isótopos estáveis dos elementos químicos leves pode fornecer pistas críticas para o conhecimento da origem e evolução do Sistema Solar.Uma equipa de astrónomos europeus, composta por investigadores do Instituto de Astrofísica e Geofísica da Universidade de Liège (Bélgica), ESO-Chile, ESA-Holanda, Observatório de Leiden (Holanda), Observatório de Besançon (França) e Universidade de Oulu (Finlândia), estudou detalhadamente o cometa LINEAR (C/2000 WM1). Utilizando o espectrógrafo UVES no telescópio KUEYEN, um dos quatro telescópios de 8,2 m do VLT (ESO) obtiveram espectros de alta resolução do LINEAR. As observações decorreram em Março de 2002, quando o cometa já tinha passado o seu periélio e se encontrava a cerca de 180 milhões de quilómetros do Sol e a 186 milhões de quilómetros da Terra. Os espectros cobriram a região do visível, entre 330 e 670 nm. Na altura das observações, o cometa tinha magnitude visual 9. Os espectros mostraram a emissão da molécula mais comum de CN - 12C14N - assim como riscas de emissão da molécula 13C14N, que contém o isótopo raro carbono-13. Foi assim possível determinar a razão isotópica 12C/13C: 115±20, muito próxima do valor estandardizado do Sistema Solar, 89, o que foi uma fabulosa descoberta cientifica. Mas o que não conseguiram descobrir é porque é que os cometas quando caem na terra emanam um cheiro a linguiça alentejana assada em boa aguardente. Em resultado do relatado fenómeno, assim que os lobos, com os seus faros apurados enxergaram tão delicioso aroma, como setas, correram na direcção da cratera que emanava tão deleitosa essência. Chegados constataram que para além de terra, naquele buraco nada mais havia para lhes saciar o seu enorme apetite. 

Acto IV – O pequeno grande momento de terror: Cheios de gana para comer, embora contrariados, pois preferiam comer linguiça alentejana, uma vez que no centro da aldeia já se encontravam,  lá tiveram que devorar toda a população daquela, outrora, populosa localidade, após que voltaram enfartados para as profundezas da floresta. 

Acto V – O final feliz:  Após o banquete dos lobos, quando o menino regressou à aldeia esta estava realmente totalmente desabitada, pois na verdade, pelos caninos dos caninos haviam sido consumidos todos os campesinos. Em resultado desse facto o nosso menino intrujão teve o melhor natal da sua vida, acreditem que demorou seis meses só para abrir todas as prendas que ao seu dispor ficaram, e ainda, segundo me asseveraram, ficou com um suplemento de bacalhau cozido que ainda hoje subsiste. 

O “Mural” da história:                    “Nem sempre os meninos que não mentem têm as melhores prendas no Natal.”

Assinadad”auuuuuuuuuuuuuuuuuuuu”

O “O”

«Estados» (a propósito do Muro de Berlim)

Passam hoje 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim. Ou, mais correctamente, sobre a autorização, dada pelas autoridades da então RDA aos seus cidadãos, de passagem da fronteira para a então RFA. Além do início da demolição do «muro da vergonha», esta data assinalou o começo do processo de reunificação da Alemanha, e, consequentemente, também do realinhamento e reformulação das relações e políticas europeias… e até mundiais.
Há duas décadas eu estava no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa a frequentar a licenciatura em Sociologia daquele instituto. E, curiosamente, tinha escolhido «Políticas Europeias Comuns» como uma das disciplinas optativas nesse ano lectivo de 1989/1990. Pelo que foi inevitável que o primeiro trabalho apresentado por mim, pensado e elaborado «em cima dos acontecimentos», tivesse, como tema, «As mudanças a Leste e a Comunidade Europeia».
Assim, e porque me parece oportuno e relevante este exercício de memória, deixo a seguir alguns excertos desse meu trabalho, que viria a integrar o livro (ainda não publicado) «Estados – Ensaios sobre Sistemas de Poder», que tem como autor, além de mim, o meu amigo (e colega no ISCTE) Rui Paulo Almas.

«(…) “Os países de Leste têm também raízes históricas europeias muito fortes para que estejam relegados para um plano de enquadramento comunitário demasiado remoto. Se a construção do mercado único entre os países da Europa Ocidental membros da Comunidade vier a implicar uma clivagem acrescida entre o comércio do novo mercado e os países de Leste, o desiderato da União Europeia fica fortemente prejudicado.”
As extraordinárias transformações ocorridas a Leste, impulsionadas pela “Perestroika” de Mikhail Gorbatchov e consideravelmente aceleradas após a queda do Muro de Berlim, só vieram confirmar a actualidade e a pertinência daquelas palavras. E vieram também relançar o debate sobre quais devem ser os principais objectivos da Comunidade Europeia. Mais: sobre o que deve ser a própria Comunidade Europeia. Na verdade, parece-nos que se tornou um pouco prematuro falar neste momento em “Políticas Comuns” antes de se (re)definir o que se entende por “Europeias”. Por isso mesmo nos parece também correcto afirmar que o debate cooperação/integração – que nos últimos tempos tinha sido substituído pelo debate integração/unificação – tem agora novas e melhores condições para se desenvolver… e uma maior legitimidade. (…)
Mas não é só a transposição das directivas comunitárias para os direitos nacionais o único problema específico com que se debate a concretização do Mercado Interno. Outros existem, como sejam: a “Europa dos Cidadãos” - por oposição à perspectiva aparentemente dominante da “Europa das Empresas” - não regista avanços significativos, em especial nos aspectos da eliminação dos controlos fronteiriços e da implementação dos direitos de estadia para os estudantes, reformados e outros não trabalhadores; a fiscalidade, em que ainda não existem acordos sobre aproximação das taxas de IVA e de impostos sobre consumos específicos, para já não falar da indispensável harmonização fiscal, que passa pela abolição das fronteiras fiscais; e a propriedade industrial, em que é necessária a existência de uma convenção sobre “patente comunitária” e de um regulamento relativo à “marca comunitária”, que permitam às empresas europeias uma protecção eficaz dos seus produtos no Mercado Interno.
Era mais ou menos este, numa síntese possível, o “estado das coisas” no interior da Comunidade Económica Europeia em finais de Outubro do ano passado. Porém, poucos dias depois, em 9 de Novembro de 1989 – uma data que ficará para a História – o Muro de Berlim cai. A partir de aqui, nada será como antes; e apesar de os acontecimentos a Leste não implicarem necessariamente, pelo menos de imediato, uma alteração profunda nos principais objectivos da Comunidade, eles vão todavia condicionar inevitável e decisivamente o timing e os modos da sua concretização. (…)
A Cimeira (extraordinária) de Paris de 18 de Novembro, que reuniu os chefes de Estado e de Governo dos países da Comunidade, constituiu a primeira tentativa de resposta concertada às mudanças aceleradas ocorridas nos países da Europa de Leste por parte dos Estados membros da CEE.
E a principal conclusão a que se chegou foi esta: a abertura no Leste e o aprofundamento da Comunidade são dois processos extremamente interligados. François Mitterrand iria mesmo mais longe ao afirmar que foi o reforço e o sucesso da Comunidade – que constitui “o único ponto de atracção real para o futuro da Europa” – que incentivou os povos do Leste a movimentarem-se. (…)
Se já muito antes dos acontecimentos na Europa de Leste se duvidava da possibilidade da concretização efectiva do Acto Único em geral e do Mercado Interno em particular, depois da queda do Muro de Berlim as dúvidas avolumaram-se até um ponto em que é legítimo perguntar: faz hoje sentido continuar a insistir na união política da Europa?
Ao contrário do que afirmam, entre outros, François Mitterrand e Jacques Delors, as mudanças nos países de Leste não ocorreram devido principalmente ao facto de a CEE constituir um pólo de atracção, mas sim devido, essencialmente, ao movimento de reformas – a “Perestroika” - desencadeado pelo líder soviético Mikhail Gorbatchov, que permitiu a esses povos exigirem – e conseguirem – mais liberdade e mais democracia e, o que é mais importante, afirmarem a sua própria identidade nacional e cultural.
O que está a acontecer no Leste é a explosão – por vezes trágica – dos nacionalismos; ou seja, um fenómeno totalmente oposto à tendência que se está a tentar consolidar na Europa dos Doze. E apesar de os Estados membros do Comecon estarem agora a solicitar a ajuda dos Estados membros da CEE, não nos parece que isso signifique que aqueles desejam passar de um “federalismo” para outro. (…)»

“1984″

Eu deveria ter adivinhado…
Eu deveria ter calculado…
Bastava fazer as contas:
mil novecentos e oitenta e quatro, noves fora…
dá quatro.

Afinal, George Orwell estava enganado,
mas quatro cavaleiros apareceram
trazendo o meu apocalipse privado.

Eles deixaram sinais…
Eles deixaram avisos…
Porque antes levaram quatro imortais,
assim iniciando os choros e findando os risos.

António Variações, cantando, se calou.
Ary dos Santos, declamando, se parou.
Baptista Pereira, nadando, se secou.
Joaquim Agostinho, pedalando, se apeou.

E no desporto despontaram quatro memoráveis momentos desse ano:
derrotas deprimentes, ante italianos e franceses, do Porto e de Portugal;
três medalhas olímpicas, uma de ouro para Carlos Lopes, o nosso herói;
no Estoril regressou a Fórmula 1 e Niki Lauda foi, de novo, campeão mundial.

Mas esse Verão passou e com ele outra vida se desfolhou;
no Dia de Finados vi um carro funerário e pressenti que estava perto.
E a 4 de Novembro, às quatro da manhã, num quarto de um quarto andar,
o futuro surgiu branco como o lençol cobrindo quem nunca mais veria desperto.

Na música procurei alívio e ânimo para uma existência à beira da desistência.
Ouvi canções sobre liberdade, guiar, duas tribos, nascido nos Estados Unidos.
Eu sabia que era Natal, e a melhor prenda foi realmente o disco de um príncipe
que, qual feiticeiro, fez cair uma chuva púrpura que purificou os meus sentidos.

Poema (Nº 293) escrito em 2004 (a 4 de Novembro) e incluído no meu livro «Espelhos».

O Som que sempre foi da Frente…

E agora quem vai ser a bussola que nos indica o norte alternativo?

Obrigado António e até sempre…

http://www.youtube.com/watch?v=itwL5y0He-k

Em Defesa da Reserva Agrícola Nacional

Assinei hoje a petição «Em Defesa da Reserva Agrícola Nacional». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.

Adoeci a subir as escadas

Adoeci a subir as escadas

Consequências disso?

Primeiramente interferi com os outros, eles não conseguiam subir pois eu estava parado.

Mas não há direito.

Todos passaram por mim, e apesar de nada fazer para adoecer, agora sou o último da fila e mal consigo ver o sol.

Adoeci a subir as escadas

E agora não consigo subir os restantes degraus.

Cada degrau que subo é como um grau adicional na minha febre

Mas não há direito

Para aspirina comprar, à farmácia tenho que ir, e descer não é opção.

Adoeci a subir as escadas

E agora sentado estou a escrever precisamente que nas escadas adoeci.

Cada linha que escrevo corresponde a um degrau que deveria subir. Pelo que a escada mesmo que com elevado esforço poderia estar a subir.

Mas não há direito.

Se eu não escrevesse que não subo a escada porque adoeci como poderia alguma vez alguém saber que as escadas não subi porque adoeci a subir as escadas?

Simetria em renovação

A Simetria/Associação Portuguesa de Ficção Científica e de Fantástico teve a sua «base de operações», o seu «quartel-general», enfim, a sua sede, no Pavilhão do Dramático de Cascais. Porém, no início deste milénio, e além de outros motivos, a desactivação – e depois a demolição – daquele edifício implicou para a Simetria um período de dispersão (do seu material) e de inacção… até agora.
Em 2008 perguntei a Luísa Marques da Silva, nossa colaboradora no livro «A República Nunca Existiu!» e professora e investigadora no Instituto Superior Técnico, se seria possível àquela instituição vir a albergar a associação. No final do ano passado a resposta tinha sido dada e era positiva: a biblioteca da Simetria – cerca de 5000 objectos, principalmente livros mas também revistas e vídeos – foi transferida para o pólo do IST no Taguspark, em Oeiras, onde pode ser acedida por qualquer discente, docente ou funcionário não docente do instituto - bem como, obviamente, pelos sócios da associação.
Este ano, e neste Outono, concluída a instalação, inicia-se uma nova fase no funcionamento da Simetria: foi já anunciado um concurso de mini-contos; e no próximo dia 19 de Outubro (segunda-feira), às 19 horas, na sala 0.32 do IST-Tagus, Luís Miguel Sequeira vai proferir uma conferência sobre o tema «Os direitos das inteligências artificiais», a que se seguirá um debate. Duas primeiras iniciativas do que se pretende que seja uma longa série, e que marcam - com o meu projecto Simetria Sonora - o retorno da Simetria ao primeiro plano do panorama da ficção científica e do fantástico em Portugal.

Fizeram juntos grandes coisas…

Já andava com ela como se arrastasse a alma.

A alma desde sempre perturbada, não podia ser assim tão sofrida.

Sofria como se o rubor fosse apenas a vontade dela…

Às vezes cantava…às vezes assobiava…outras chorava…

Mas,

Andava ele sempre com ela…

E juntos, fizeram grandes juntos grandes coisas…

Grandes feitos e viagens, privações e depurações.

Às vezes cantavam…às vezes assobiavam…outras choraram…

Sabiam que não podiam estar para sempre juntos o destino esse os esperava…

Mas, fizeram sempre juntos grandes coisas…

Ele apaixonou-se por ele numa tarde miserável…

Esquecendo-se da sua anterior vida e das grandes coisas que fizeram.

Mas a alma esperava, ele chorava, ela gostava…

 

Simetria Sonora (versão 4)

Ontem, Dia Mundial da Música, foi pela quarta vez a data adequada para a apresentação da nova versão – a quarta, precisamente – da Simetria Sonora. Mais 50 títulos foram acrescentados, pelo que são agora 200 discos de FC & F! A ler… e a ouvir.

Escutas?

P.S. - Grandes orelhas…

Sob a bandeira arco-íris

Quem votar, nas eleições legislativas de 27 de Setembro, no Partido Socialista estará a aprovar, a validar, o que o actual (des)governo fez nos últimos quatro anos. Mas não só: estará também, simultaneamente, a autorizar, a ratificar, as propostas do PS para os próximos quatro. Incluindo a legalização do casamento entre homossexuais.
Pode ler-se no «Programa de Governo do Partido Socialista/Avançar Portugal/2009-2013», páginas 75-76: «(…) Durante a próxima legislatura, o PS compromete-se a combater todas as discriminações e, em particular, a envidar todos os esforços no sentido de proporcionar a todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual e identidade de género, o pleno usufruto dos direitos constitucionais. Com este passo, acreditamos contribuir para uma sociedade mais justa, estruturada no respeito pelos Direitos Fundamentais, pela democracia e pela inclusão de todas as pessoas. Assim, o compromisso do PS assenta em: propor a aprovação de uma Lei da Igualdade; remover as barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo; aperfeiçoar os mecanismos de apoio a vítimas de discriminação em função da orientação sexual e identidade de género. (…)»
Tal intenção já tinha sido anunciada em Fevereiro último, em Coimbra: o Sr. Pinto de Sousa disse então que o casamento entre homossexuais é (tal como a regionalização) uma «bandeira» que deve ser… assumida, e que identifica o PS «como a verdadeira força da esquerda progressista, da esquerda moderna, da esquerda do povo.» Mas convém recordar que, quatro meses antes, o PS havia votado contra – logo, inviabilizando – um projecto-lei do Bloco de Esquerda que tinha exactamente o mesmo objectivo. O (ainda) primeiro ministro disse então que o PS não anda a… «reboque de nenhum outro partido». Mas agora que esta «causa» faz parte do ideário socialista e, por isso, com maiores probabilidades de concretização, até Miguel Vale de Almeida deixou o BE para integrar a lista de candidatos a deputados do PS pelo círculo de Lisboa – o que não deixa de representar uma considerável «progressão na carreira» do meu professor-assistente de «Introdução à Antropologia Social» na Licenciatura em Sociologia do ISCTE, que, no ano lectivo de 1986/87, aproveitava a sala de aula para expressar, de uma forma discreta e indirecta, a sua simpatia para com outros «estilos de vida», «autenticando-os» ao referir-se a certas práticas ancestrais de determinadas tribos do Pacífico…
Caso o PS vença as eleições e cumpra esta promessa, e apesar de ter – justificadas – queixas de hipocrisia, imitação e oportunismo, o BE, continuador e herdeiro do «saudoso», e pioneiro, «Grupo de Trabalho Homossexual» do Partido Socialista Revolucionário, não deixará de ficar entusiasmado… e o PCP, apesar do «fantasma» de Júlio Fogaça, e para parecer uma instituição com graça e modernaça, também mostrará (fingirá?) estar contente…
A questão da homossexualidade tem, porém, e incontestavelmente, para os «republicanos, laicos e socialistas» portugueses, uma importância, um significado bem maior do que o de mera demagogia eleitoral politicamente correcta. Em 2007 foi noticiado que António Reis (repare-se na ironia que o apelido acarreta…), Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, histórico militante e dirigente do PS, afirmara que a organização que lidera aprova o aproveitamento, em 2010, das celebrações dos 100 anos da instauração da República para se rever o Código Civil de forma a permitir o casamento entre homossexuais. Isto porque há a necessidade de ter em conta as «novas realidades sociais», e «faz todo o sentido» utilizar as celebrações da República para se «reforçarem legalmente os direitos conjugais dos homossexuais. Se a República se distinguiu foi, nomeadamente, pelas leis sobre a família que aprovou, como a lei do divórcio e a que acabou com o estatuto de filho ilegítimo.» Numa entrevista concedida já em 2009 António Reis reafirmou esta posição, embora reforçando-a enquanto opinião pessoal e diminuindo-lhe o cariz institucional…
A discrição do Grão-Mestre tem sido, no entanto, mais do que compensada pela exuberância do secretário-geral: em entrevista concedida neste mês de Setembro Sócrates pronunciou-se igualmente a favor da adopção de crianças por «casais» homossexuais. É também por isto que o PS é o «partido rosa-choque»? É também por isto que o GOL agrega os maçons «irregulares»? A conclusão é inevitável e indesmentível: a celebração e a consagração formal, oficial, da homossexualidade representam, para o GOL e para o PS, o estádio último da república portuguesa, a fase final do seu processo de consolidação, a própria imagem, reflexo, do seu «progresso».
Assim, vou ficar à espera de que, finalmente, o PS mude a música que utiliza nos seus comícios e que passe a tocar a banda sonora do «Milk» (que tanto terá inspirado o «senhor engenheiro»…) em vez da do «Gladiador» (embora, pensando bem, o filme de Ridley Scott até que pode ser visto no Largo do Rato por uma perspectiva homoerótica…) Mais: a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República deveria ter como evento principal do seu programa, a 5 de Outubro de 2010, um grande, um gigantesco arraial e marcha de «orgulho gay»; e, porque no Palácio Maçónico ao Bairro Alto não há espaço suficiente, deveria realizar-se, claro, no Largo do Município, frente à Câmara Municipal de Lisboa.
A descomunal… «desbunda» homenagearia não só os «heróis da rotunda» mas também Jorge Sampaio e João Soares, em cujas presidências se iniciou e se desenvolveu o patrocínio a «manifestações» culturais e sociais «alternativas» e a propostas «fracturantes». E, em apoteose, no final dos festejos, um representante dos LGBT’s, qual José Relvas da pós-modernidade, deveria subir à varanda dos Paços do Concelho ou até mesmo ao telhado do edifício, encostar-se ao pau… da bandeira da carbonária – que há quase 100 anos passa por bandeira de Portugal – e substituí-la pela bandeira arco-íris. E decerto que ninguém diria que tinha havido «ultraje aos símbolos nacionais»… ultraje ao pudor sim, e repetidamente, mas isso não seria um problema no clímax da república!
Seria tão giro! Olarila!
(Actualização: ainda mal se sentou no parlamento e Miguel Vale de Almeida já está a ameaçar… E, pelos vistos, resultou!)
(Segunda actualização: então não é que Miguel Vale de Almeida me dá razão? Leia-se, em especial, o último parágrafo deste artigo no Público!)

Octávio dos Santos

Obamatório atinge as 50

Com o texto «A ponta de um ACORN», publicado hoje, o Obamatório atinge as 50 entradas. É um número especial num projecto especial, iniciado em Janeiro deste ano.
Devo constatar e mencionar que, no momento em que escrevo, ainda não há qualquer comentário deixado neste meu novo «blog». O que não me surpreende nem me desanima: eu sei que o Obamatório é visto, lido, consultado… mas a muitas pessoas custa admitir que também «caíram na rede» da maior e mais espantosa campanha de desinformação e de demagogia de que há memória na história contemporânea. Em Portugal a responsabilidade por esse logro cabe quase por inteiro à quase generalidade dos órgãos de comunicação social, que, tanto antes como depois das eleições presidenciais americanas de 4 de Novembro de 2008, têm sistematicamente escondido, escolhido e/ou distorcido as informações que chegam dos EUA.
Para se aferir da utilidade do Obamatório basta cada um perguntar-se se soube de determinados casos, ou de algum aspecto fundamental dos mesmos, na imprensa, rádio e televisão nacionais. Exemplos? O aumento do défice. Biden, o Bobo. Os 150 mil empregos. Os 57 Estados. A confusão na saúde. A língua austríaca. Os problemas com os telepontos. As trapalhadas diplomáticas (Honduras, Irão, Reino Unido, Rússia). Vénias a muçulmanos. E muito mais…
Com o Obamatório tenho tentado demonstrar que a «Obamalândia» que é descrita por Victor Gonçalves na RTP (mas não só) não corresponde à realidade. Há assuntos muito mais importantes do que a limusina do Barack, o cão do Barack ou as férias do Barack.

A Cure do Caterpillar

Aí que saudades…

http://www.youtube.com/watch?v=vBX8j1lZshE